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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

O Vilarejo: um “Goosebumps para adultos” no universo sombrio de Raphael Montes




Quer pular a introdução?Pule até RESENHA

Esse é o segundo livro do Raphael Montes que pego para ler. Depois de Jantar Secreto, não resisti e logo em seguida comprei O Vilarejo.

Como já comentei em outros posts, estou numa fase de mergulhar em obras de terror/horror de autores brasileiros. Não sei exatamente por quanto tempo (rsrs), mas a ideia é preparar terreno: em breve quero lançar meus próprios livros de terror/horror — já tenho pelo menos três histórias engavetadas há mais de 15 anos — e, para isso, preciso sentir como anda o mercado e o estilo dessas narrativas atualmente.

Além disso, quero aproveitar este espaço para incentivar a leitura de horror/terror nacional, entre os ja postados aqui no blog como "Jantar Secreto" e "Vilarejo" do badalado  Raphael Montes , Numezu de Jorge Alexandre Moreira Moreira,"Até os Demonios podem Chorar" de Evandro Augusto Silva,"O Encanto dos Lobisomens" em autores conjuntos como ,Eliana Bauman,meu amigo Paulinho Dhi Andrade,Dennis Nischimura, e Orlando Rodrigues entre outros que ainda serao postados em breve e assim continuarei nesse ano de 2025 e 2026 inteiro.

Tem muita coisa boa sendo produzida por autores brazucas, mas que infelizmente ainda não chega a tanta gente. Se eu puder, de alguma forma, trazer essas obras até você que passa por aqui, já vale a pena.

Então, bora para a resenha?


RESENHA - O VILAREJO AUTOR RAPHAEL MONTES

Fala turma! Hoje trago aqui mais um horror nacional 
Bom,eu após ler "O Vilarejo", um livro de contos do Raphael Montes tentando achar uma referência ou analogia melhor é que é um verdadeiro Goosebumbs  18+ .

Há sangue e violência, sim, mas a sensação que tive é a de estar lendo uma espécie de Goosebumps turbinado para adultos: histórias de terror rápidas, macabras e envolventes, com uma atmosfera própria. Diferentemente de Jantar Secreto, aqui Raphael Montes trabalha com uma estrutura de contos e com um cenário quase fabuloso, sem deixar de explorar a crueldade humana.


Para quem não lembra ou não conhece 


A premissa  assim como os livros Goosebumbs é simples, no início um pouco juvenil   mas  aqui vai ficando adulto e escalonando .A história se passa em um vilarejo isolado, soterrado pela neve e devastado pela fome, onde os moradores vão perdendo a compostura — aos poucos, mas de um jeito cruel .

Os seres "humanos" desse livro invés de auxiliarem a passar pela tormenta todos juntos a desgraça da raça criada por Deus  explana o pior de cada um de nós se aflorando  se individualizando para sobreviver a qualquer custo. O autor cria uma atmosfera ,como disse, vai escalonando a angustia e a maldade entre os personagens. 

O horror nesse livro é humano. A escrita é rápida, sem firulas, e cada curto conto faz você querer continuar lendo até o fim — principalmente porque, no final, tudo se conecta.


Os capítulos são disposto em Sete demônios, sete pecados, sete contos — cada página de O Vilarejo é um mergulho no lado mais sombrio da alma humana.

Os contos e seus nomes (sem spoiler!)
Cada um dos sete contos começa com o nome de um demônio clássico, inspirado na lista tradicional de Peter Binsfeld, um teólogo e demonologista do século XVI. Cada demônio representa um pecado capital. Olha só:

Belzebu — gula
Leviathan — inveja
Lúcifer — soberba
Asmodeus — luxúria
Belphegor — preguiça
Mammon — ganância
Satan — ira

Cada nome aparece no título do conto e funciona como uma pista sutil (não esclarecedora!) sobre o tipo de mal que está por vir.


Por que vale a leitura?
Narrativa não linear — você pode até começar por qualquer conto, mas… nossa, recomendo seguir a ordem original. Conforme os personagens reaparecem, você vai encaixar as peças do quebra-cabeça e arrancar vários “ahá!” da leitura.

Personagens intensos — são figuras humanas, reais e trágicas. Tem a Helga, a Felika, o Mikhail… cada um traz à tona um lado sombrio que a gente preferia nem pensar existir.
Ilustrações incríveis — o livro vem com desenhos sombrios do Marcelo Damm, que dão um clima ainda mais tenso e ajudam a mergulhar nesse mundo gelado e impiedoso.
Surpresa e reflexão — sem entregar nada de spoiler: no fim, a impressão é de que os verdadeiros demônios somos nós mesmos — e isso fica martelando na cabeça depois de fechar o livro.


Conclusão rapidinha
Se você curte terror psicológico, atmosfera pesada e narrativas que mordem com precisão cirúrgica,
 O Vilarejo é leitura obrigatória. Pequeno (são só 7 contos curtos), mas potente. 

Entre a fome, a culpa e o desespero, cada conto de O Vilarejo é um convite para descobrir até onde alguém pode ir para sobreviver.


terça-feira, 13 de outubro de 2026

Sedento Por Sangue Autor Victor Cayke - Resenha: Nojeira extrema e passageira


Alerta para os gatilhos O livro é de horror extremo e poderá causar sensações de nojo e desconforto.


Psicopatas e serial killers são, atualmente, o foco das minhas leituras e pesquisas. Esse interesse também fez parte do processo de pesquisa para o meu livro, que em breve será lançado. Embora o livro já esteja finalizado e passe agora pelas etapas finais junto à editora, continuo consumindo esse tipo de material — desta vez, como uma espécie de pós-pesquisa.

Segundo a editora responsável pelo meu livro, a obra se enquadra no horror extremo — e, pelo que me disseram, até a equipe editorial ficou um pouco chocada com o conteúdo. Ao encontrar Sedento por Sangue, de Victor Cayke, também descrito pelo próprio autor como horror extremo, fiquei curioso. Queria encontrar uma referência, uma espécie de régua para entender até onde esse tipo de narrativa poderia ir.

Até então, uma das minhas principais referências literárias do que se é extremo, é o livro Psicopata Americano, de Bret Easton Ellis. Agora, já com o meu livro finalizado, decidi ampliar essa comparação e descobrir o que encontraria nas páginas curtas e perturbadoras de Cayke.

RESENHA

Na empresa Martins Telles Equipadora trabalha Carlos, um homem de meia-idade que conquistou a simpatia de boa parte dos colegas — sobretudo de seus superiores e da diretoria. Eficiente, inteligente e aparentemente confiável, ele é visto como o funcionário exemplar: alguém acima de qualquer suspeita.

Mas, por trás dessa imagem impecável, Carlos esconde um segredo doentio. A distância entre o profissional admirado no escritório e a figura perturbadora que ele revela em particular é justamente o que sustenta a inquietação de Sedento por Sangue.

Como eu queria medir o grau de extremidade da obra, encontrei aqui algo que certamente não passa despercebido. Mas, para mim, o impacto vem menos da violência explícita e mais da repulsa e do desconforto provocados pelo comportamento de Carlos. O personagem é grotesco a ponto de causar ânsia só de acompanhar suas atitudes; quando seus crimes entram em cena, essa sensação se intensifica.

Carlos parece incapaz de conter seus impulsos, especialmente quando está perto de suas vítimas. Meticuloso e paciente, ele espera o momento que considera adequado para agir. Essa rotina criminosa começa a ser abalada quando Susy, sua nova colega de trabalho, desperta nele o desejo de torná-la sua próxima vítima.

Susy, porém, é inteligente e logo percebe que há algo errado com Carlos — ainda que descubra da pior maneira possível a dimensão de seus hábitos criminosos. A partir daí, a tensão se concentra no confronto entre os dois: será que Susy conseguirá escapar e enfrentá-lo, ou Carlos continuará vivendo sua rotina doentia sem ser impedido?

Com menos de quarenta páginas, Sedento por Sangue é uma leitura rápida, mas bastante desconfortável. É um livro de tiro curto, que pode ser lido no intervalo do almoço — embora, pensando bem, talvez seja melhor deixar a leitura para bem depois da refeição.

Em resumo: se você procura uma narrativa breve de horror extremo, marcada mais pela repulsa e pelo incômodo do que pela violência explícita, o livro de Victor Cayke pode chamar sua atenção. Só não espere terminar a leitura com o estômago tão tranquilo quanto começou.