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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Socorro! (Send Help) | Resenha Crítica — "Se alguém assistir sem saber de nada sobre o filme, mesmo assim vai estar na cara que é Sam Raimi."

 Se alguém assistir sem saber de nada sobre o filme, vai estar na cara que é Sam Raimi

Resenha: Socorro! (2026)




ELENCO

Rachel McAdams como Linda Liddle
Dylan O'Brien como Bradley Preston
Elenco de apoio completo no elenco secundário


PRÊMIOS E DESTAQUES 

O retorno triunfal de Sam Raimi ao terror veio acompanhado de números impressionantes:
93% de aprovação no Rotten Tomatoes — a melhor nota da carreira do diretor, empatando com Homem-Aranha 2 (2004)
Supera Homem-Aranha (90%) e, de longe, Homem-Aranha 3 (63%)
Recepção aclama a volta de Raimi ao gênero que o consagrou, com o "terrir" no sentido mais puro — enoja e faz rir ao mesmo tempo
Referências diretas ao clássico A Morte do Demônio e a Arraste-me Para o Inferno (2009), seu último terror antes deste


ENREDO
Linda Liddle (Rachel McAdams) é uma funcionária dedicada, brilhante e sistematicamente subestimada no departamento de estratégia de uma consultoria multinacional. Após anos de trabalho impecável, ela vê a promoção a vice-presidente que sonhava ser negada pelo novo herdeiro do trono: o arrogante e machista Bradley Preston (Dylan O'Brien), filho do falecido fundador da empresa.
Bradley é a síntese do "chefe tóxico": dá ordens sem sentido, diminui a funcionária, privilegia os amigos da fraternidade e passa os dias jogando minigolfe no escritório.

Para piorar, tudo indica que Linda seria demitida após a tal viagem de negócios.
Só que o avião cai. E apenas os dois sobrevivem, presos numa ilha deserta.
Aos poucos, a relação de poder se inverte de forma brutal: Linda é extremamente habilidosa em sobrevivência, e Bradley — o chefão que se achava o dono do mundo — não consegue sobreviver sem ela. O controle que ele exercia no escritório desaparece na ilha, e o que segue é uma disputa de poder tão bizarra quanto perigosa, entre um filhinho de papai incapaz e uma sobrevivente de verdade.

O GANCHO: isso é Sam Raimi, e não tem como não ser

Vamos combinar uma coisa: se alguém assistir Socorro! sem saber absolutamente nada sobre o filme — sem saber diretor, sem saber sobre o quê se trata — mesmo assim vai estar escrito na testa que é um filme de Sam Raimi.

Não dá pra não reconhecer. É a câmera acelerada, é o plano-detalhe focado naquilo que vai te fazer rir ou ter nojo, é o terror que vira piada no segundo seguinte, é o exagero que vira estilo. Raimi tem uma assinatura tão forte que ela se impõe antes mesmo de qualquer diálogo. Você assiste ao primeiro plano-detalhe e pensa: "sim, é ele."

Melhor ainda: ele consegue fazer isso dentro de um filme de estúdio, com as limitações de classificação indicativa de um blockbuster — e ainda assim abraçando o caos e o absurdo que só ele sabe dirigir. É um "terrir" na acepção mais pura do termo.

O GORE QUE VOCÊ NAO ESPERAVA

Aqui está a maior surpresa do filme: o gore. Você poderia esperar muita coisa de um filme de sobrevivência em ilha deserta — estilo Náufrago com chefe e funcionária. O que você NÃO esperava era o nível de violência gráfica e sangrenta que Socorro! entrega.

A começar pela icônica e sangrenta batalha entre Linda e um javali, apontada pela crítica como uma das primeiras grandes emoções de 2026. E não para por aí. Raimi não alivia — ele encontra jeitos de meter sangue, tripas e nojo mesmo num ambiente paradisíaco. O resultado é uma mistura deliciosa de repulsa genuína com risada descontrolada, a fórmula exata que fez dele o mestre do gênero.
E o mais impressionante? O gore aqui não serve só para chocar — ele potencializa a fúria justa da protagonista. A violência de Raimi vem alimentada por um elemento de justiça catártica que torna tudo ainda mais satisfatório.


A QUIMICA DA DUPLA: McAdams & O'Brien

Confesso que ia torcendo o nariz para Dylan O'Brien. Sempre o achei um ator um pouco limitado, engessado dentro de um certo registro — bom em Maze Runner, mas sem mostrar muita versatilidade além disso.

Mas aqui ele se supera. Como Bradley, o chefe arrogante que se vê completamente inútil numa ilha, O'Brien entrega uma atuação que mistura carisma desprezível, fragilidade patética e um desespero cômico muito bem dosado. Ele consegue fazer o personagem odiável sem deixar de ser ridiculamente divertido de assistir.

E Rachel McAdams — que já havia trabalhado com Raimi em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura — é simplesmente magnífica. É a atuação mais física e intensa da carreira dela, colocando Linda como uma força da natureza que cresce a cada cena.

Mas o que realmente brilha é a química da dupla. McAdams e O'Brien se complementam perfeitamente — ela, a competente e subestimada; ele, o incompetente e arrogante. O antagonismo inicial, a relação de poder que se inverte, a necessidade mútua de sobrevivência e a tensão que nunca deixa de ferver... Os dois constroem uma dinâmica hipnotizante, que sustenta o filme do início ao fim.

AS REVIRAVOLTAS 
O que mais me surpreendeu em Socorro! — além do gore e da química — foram as reviravoltas que ninguém espera. E não são só nos primeiros atos, não.
Mesmo nas minutagens finais do filme, no embate final, Raimi ainda guarda ases na manga. Você vai achando que já entendeu pra onde a história vai — e ele muda o jogo. Mesmo nos minutos finais, o filme ainda surpreende, mantendo a tensão e a imprevisibilidade até o apagar das luzes. Não vou dar spoiler, mas confia: o embate final guarda muito mais do que a premissa sugere.


CURIOSIDADES
15 anos esperando: Socorro! marca o retorno de Raimi ao terror de cinema após Arraste-me Para o Inferno (2009) — quase 15 anos de espera.
Roteiro de peso: escrito por Damian Shannon e Mark Swift, dupla por trás de Freddy vs. Jason (2003) e do remake de Sexta-Feira 13 (2009) — veteranos do gênero.

Reencontro com McAdams: Rachel McAdams já havia trabalhado com Raimi em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura (2022), onde interpretou Christine Palmer.

Releitura inusitada: a crítica comparou o filme a uma união violenta entre Náufrago e A Lagoa Azul — com Raimi, claro, no comando da insanidade.
Os 66 anos de Raimi: a crítica da IndieWire destacou que, aos 66 anos, Raimi ainda lembra a todos "quem ele era quando fez história no gênero" e por que sua voz ainda importa.

A batalha do javali é apontada pelo Boston Globe como "a primeira grande emoção de 2026" no cinema.

NOTA: 9 / 10
Socorro! é Sam Raimi no seu habitat natural — e provando que, mesmo depois de quase 15 anos longe do terror e décadas de carreira, ele continua sendo um dos grandes mestres do gênero. O filme mistura gore inesperado, humor negro afiado, uma crítica ácida ao mundo corporativo machista e uma dupla protagonista com uma química simplesmente incrível.

O gancho se confirma o tempo todo: é impossível assistir Socorro! sem sentir a marca de Raimi em cada plano. E, ao mesmo tempo, o filme nunca soa como fórmula — soa como o caos controlado de um autor no auge.

O gore que você não esperava, a química que funciona contra todas as minhas expectativas sobre O'Brien (que finalmente se supera), e as reviravoltas que sobrevivem até os minutos finais... tudo conspira para que Socorro! seja, com toda justiça, o melhor filme de Raimi desde Homem-Aranha 2.



 AVISO DE SPOILERZÃO 
A partir daqui terá UM SPOILERZÃO!

 Se você ainda não assistiu a esta obra e não quer estragar a experiência, PARE AGORA!

Role para baixo apenas se estiver preparado(a) ou se já viu o filme/série.

Quem quiser voltar depois de assistir, é só lembrar deste ponto!

Você foi avisado(a)! Continue por sua conta e risco.


Rachel McAdams como Linda Liddle Dylan O'Brien como Bradley Preston se amam




 A GRANDE VIRADA : a ilha nunca foi selvagem

Se você achou que Socorro! era só uma história de sobrevivência na ilha, o roteiro de Damian Shannon e Mark Swift guardou uma bomba: a ilha nunca foi tão selvagem quanto Bradley acreditava.

Logo no início, enquanto explorava o terreno, Linda descobriu que do outro lado da ilha existe uma mansão luxuosa e moderna — a casa de férias de um bilionário. E ela escondeu essa descoberta de Bradley propositalmente.

Pior: Linda usava a cozinha equipada da mansão para preparar refeições "milagrosas" e apresentá-las a Bradley como frutos da sua habilidade de sobrevivência — enquanto o mantinha deliberadamente num estado de desespero, medo e dependência total. Ela não estava tentando sobreviver. Ela estava cultivando o controle.

O BARCO DE RESGATE — e o primeiro assassinato:

O filme dá a primeira pista de que algo está errado quando Linda, já dominando a situação, começa a ignorar sinais claros de resgate. Barcos passam perto da ilha, e ela simplesmente não faz nada — porque, pela primeira vez na vida, ela tem poder e não quer voltar para um mundo onde era invisível.

O golpe definitivo vem quando Zuri, a noiva de Bradley, chega à ilha de barco ao lado de um capitão, em busca de resgate. Em vez de pedir ajuda, Linda permite que os dois caminhem em direção a um penhasco, resultando na morte de ambos. Ela não os empurra — ela simplesmente não os impede. E essa escolha passiva, silenciosa e calculada é muito mais assustadora do que qualquer explosão de violência.

O CONFRONTO FINAL: o taco de golfe

O clímax acontece quando Bradley descobre os corpos da noiva e do capitão e deduz que foi Linda quem os matou. O que se segue é uma batalha estendida e cheia de gore, com toda a assinatura visual de Raimi.

No embate final, Linda usa sua habilidade de manipulação para enganar Bradley: ela o instiga a atacá-la verbalmente enquanto ele segura uma espingarda descarregada que ela mesma preparou. Ao inverter o jogo de poder, Linda o mata brutalmente com um taco de golfe — um objeto carregado de simbolismo, representando exatamente o privilégio de classe alta que ela tanto desprezava.

Bradley, o "chefão" que se achava o dono do mundo, termina frágil, descartável e totalmente nas mãos de Linda — o exato oposto do que ele era no início do filme.

O FINAL CINICO: a vítima virou predadora

O desfecho de Socorro! é, talvez, o mais cínico e desconfortável de toda a carreira de Raimi. Linda não apenas sobrevive: ela venceu mentindo, matando e reconstruindo a própria imagem.

Revelada como a "única sobrevivente" do acidente, Linda é resgatada e assume o cargo de Bradley na empresa, tornando-se uma celebridade do mundo dos negócios. Ela passa a pregar uma filosofia de "cada um deve ajudar a si mesmo" — enquanto desfruta da mesma vida de privilégios e futilidades que antes desprezava.

A doce funcionária subestimada virou, literalmente, a predadora. E o filme deixa essa transformação em aberto: Linda não é exatamente uma vilã — ela é o resultado de anos sendo ignorada, da frustração acumulada e de um ambiente que a empurrou para isso. O público, mesmo chocado, ainda entende o porquê. E é exatamente isso que torna o final tão perturbador.

AS SEMELHANÇAS QUE CRITICA NOTOU:

Com Misery (Louca Obsessão): a vítima que vira algo mais sombrio, o oprimido revelando um lado perturbador
Com Triângulo da Tristeza (2022): a funcionária de baixo escalão que assume o controle e subverte toda a hierarquia social
Com o próprio Raimi: o "terrir" que começa como comédia ácida e termina como estudo de personagem perturbador sobre uma anti-heroína impiedosa

Linda Liddle: de vítima a predadora
Se a Alice de A Morte do Demônio Em Chamas sofreu mais do que qualquer protagonista da franquia Evil Dead, a Linda de Socorro! faz o caminho inverso: ela não sofre — ela vira o monstro.

E é aí que mora a genialidade de Raimi. O filme te faz torcer pela underdog o tempo inteiro. Você quer que Linda consiga a promoção. Você odeia o Bradley. Você se delicia quando ela domina a ilha e ele vira um inútil patético. Você está do lado dela.

Até que, de repente, o tapete é puxado. E você se vê assistindo — talvez até torcendo — por uma mulher que assassinou a noiva do chefe, deixou um capitão morrer num penhasco e matou o Bradley com um taco de golfe. A vítima virou predadora, e você ajudou a torcer por isso.

Rachel McAdams resumiu bem: "Eu amo esses momentos em que você acha que pisou em terra firme, e de repente o tapete é puxado debaixo de você. Eu adorei que esse filme teve alguns desses — quando de repente você sente um aperto no estômago."

Esse é o soco final de Socorro!: ele não te dá conforto. Ele te faz cúmplice. E te deixa com aquela sensação incômoda de que, no fim, a diferença entre a vítima e o monstro pode ser apenas uma questão de oportunidade.


Veredito: O "terrir" mais afiado do ano, com toques de A Morte do Demônio e Arraste-me Para o Inferno, protagonizado por uma dupla com química incrível — e que ainda tem coragem de surpreender nos últimos minutos. Sam Raimi não
 perdeu o jeito. E como.

Até a próxima resenha! 


A Morte do Demônio Em Chamas (Evil Dead Burn) | Resenha Crítica — "Ela veio buscar conforto na família do marido. Só que naquela casa, até o luto se transforma em algo maligno.

 A resenha de A Morte do Demônio Em Chamas (Evil Dead Burn, 2026) | Resenha Crítica — você vai ler agora é sobre o sexto filme da franquia criada por Sam Raimi. Se você é fã de terror sanguinolento, prepare-se: este é um dos filmes mais brutais do ano.




Título: A Morte do Demônio: Em Chamas (original: Evil Dead Burn)

Ano::Sébastien Vaniček

Roteiro: Sébastien Vaniček e Florent Bernard

Gênero: Terror Sobrenatural / Slasher / Gore

Duração:1h 50min

Produção: New Line Cinema, Screen Gems, Ghost House Pictures (Rob Tapert e Sam Raimi)

Distribuição:Warner Bros.


ELENCO de A Morte do Demônio Em Chamas

Souheila Yacoub como Alice

Tandi Wright como Susan (a sogra)

Hunter Doohan como Joseph

Luciane Buchanan como Thya

Erroll Shand, Maude Davey e George Pullar como elenco de apoio



PRÊMIOS E DESTAQUES 

O sexto filme da franquia A Morte do Demônio já chega com status de um dos terrores mais brutais do ano:

Aclamado pelo público de horror hardcore em sessões de pré-estreia com um orçamento de US$ 20 milhões

Dirigido por Sébastien Vaniček, diretor francês do elogiado terror Infestação (2023) — o filme das aranhas

Produzido pelo próprio Sam Raimi e por Rob Tapert, garantindo a autenticidade do legado

Recepção da crítica dividida: uns o chamam de "orgia de caos não-modulado", outros de "negrito e brutal" — mas todos concordam: é o Deadite mais vilão da franquia

ENREDO (Sem Spoilers)

Alice (Souheila Yacoub) acaba de perder o marido, Will, em um acidente. Em busca de consolo, ela se refugia na casa isolada dos sogros — mas o que deveria ser um momento de despedida e apoio se transforma rapidamente num ambiente hostil e sufocante, repleto de ressentimentos antigos, acusações veladas e uma estrutura familiar tóxica construída sobre silêncio e culpa.

Para piorar, Alice guarda um segredo que a família não conhece: o falecido Will era um homem abusivo e violento — algo que ela esconde dos sogros a todo custo.

Mas o reencontro familiar vira um verdadeiro inferno quando uma força maligna começa a possuir os moradores um a um, convertendo-os em Deadites — as criaturas demoníacas sanguinárias da franquia. Presa na propriedade, Alice precisará lutar para sobreviver enquanto o lugar familiar se transforma num verdadeiro abismo de sangue e fogo.

E, desta vez, os Deadites têm um propósito que nunca existiu antes na franquia: estão atrás de uma adaga ancestral — a única arma capaz de matá-los definitivamente.


SANGRENTO,VISCERAL E AGONIZANTE 

Vamos ao que interessa: esse filme é uma carnificina. Sébastien Vaniček não veio para fazer média — ele veio para testar sua tolerância ao choque.

Isso não é um terror de sustos e atmosfera. Isso é um terror que revela na agonia física: ganchos de pesca arrancando pele, homens sendo fervidos vivos num lago, corpos sendo esquarteajados, cabeças esmagadas, dedos quebrados em portas e carne em chamas derretendo como carne de porco desfiada. A violência começa nos primeiros minutos e não te dá trégua.

Para os fãs de gore: é um banquete. Para os sensíveis: é uma provação. O diretor declarou em entrevista seu método: "Quero escolher quando você respira, aliviar a pressão e depois colocar a pressão de volta." E ele cumpre à risca. Cada vez que você acha que vai aliviar, Vaniček aperta o nó outra vez.

É o mais brutal de toda a franquia — até para os padrões Evil Dead. Vaniček, com raízes na escola do "New French Extremity" (o movimento francês de terror extremo), trouxe para a franquia uma crueza que nem os filmes anteriores ousaram.


O VERDADEIRO TERROR: a família

Mas não é só sangue e vísceras. A Morte do Demônio: Em Chamas tem uma camada a mais: o verdadeiro monstro nunca foi apenas o Deadite — é a própria família.

A grande sacada do roteiro é mostrar que os Deadites não criam o caos daquela casa. Eles apenas escancaram as feridas que já estavam escondidas. Alice carrega o peso de ter sido vítima de abuso do marido morto, e os sogros a tratam como intrusa, num ambiente governado por um patriarca controlador, silêncio e culpa.

O demônio chega e absorve toda essa podridão latente — transformando o luto, a culpa e a raiva familiar em algo sobrenatural e mortal. A possessão se torna, ao mesmo tempo, literal e simbólica: um retrato devastador de como ambientes familiares tóxicos já estavam destruídos muito antes de qualquer livro amaldiçoado aparecer.


DESTAQUE Souheila Yacoub

Souheila Yacoub (de Duna: Parte 2) é uma força da natureza. Sua personagem, Alice, é uma final girl de dar orgulho à franquia — e o background da atriz como ginasta profissional vem bem a calhar nas sequências de ação física e acrobacias.

O que torna Alice especial, porém, é a bagagem emocional: ela vem de um luto pesado e de um casamento abusivo que esconde da família — e precisa equilibrar a dor, a culpa e a sobrevivência em meio ao caos demoníaco. Yacoub entrega tudo isso com uma intensidade que sustenta o filme inteiro: é dura, frágil, ferida e implacável, tudo ao mesmo tempo.


HONRANDO SAM RAIMI SEM PERDER A IDENTIDADE

Sébastien Vaniček consegue a proeza de honrar Raimi sem abrir mão da própria identidade. Os fãs vão sentir as referências ao clássico de 1981 — a cabana, o Necronomicon, a câmera maluca, o terror que transcende o físico — mas a marca do diretor francês está em cada plano: a direção de fotografia fria e lamacenta, as tomadas longas caóticas, os movimentos de câmera que desafiam a gravidade e a crueldade implacável dos Deadites.

É o sexto filme da franquia e ainda consegue trazer novidades: os Deadites nunca tiveram um propósito além de devorar almas — aqui, pela primeira vez, eles estão na defensiva, e estão irritados. E isso os torna ainda mais letais.


CURIOSIDADES

Produção na Nova Zelândia: como os últimos filmes da franquia, foi rodado na Nova Zelândia — uma escolha consolidada desde que Rob Tapert produziu Xena no país nos anos 1990.

Novo Necronomicon: pela primeira vez em 45 anos, o livro amaldiçoado ganhou uma nova forma, se passando por um diário comum — criado por um antepassado de Alice, contendo páginas do livro original. Isso abre toda a mitologia para cópias parciais espalhadas pelo tempo.

Metade do elenco é neozelandês: contrariando a tradição, vários papéis principais foram preenchidos por atores e atrizes kiwis, incluindo Tandi Wright, uma das mais conhecidas atrizes da TV local.

Trilha sonora de peso: composta pela dupla francesa Double Dragon, conhecida por música eletrônica atmosférica.

Conexão direta com A Ascensão: o filme é uma sequência de A Morte do Demônio: A Ascensão (2023), quebrando a regra de 45 anos da franquia como antologia — agora existe uma cronologia construída.

Diretor de Infestação: Vaniček se consagrou nos festivais com Infestação (2023), terror de aranhas assassinas exibido no Shudder.

O luto como arma: a crítica notou a influência de filmes como Mistério e Obsessão no tema do abuso doméstico, mas Vaniček o usa de forma mais crua e sem finesse — como mais uma arma num arsenal de miséria.


NOTA: 9,5 / 10

A Morte do Demônio: Em Chamas é sangrento, visceral e agonizante — e na minha opinião, um dos melhores filmes do ano, e certamente o mais brutal da franquia Evil Dead.

É um terror que não alivia, não pisca e não pede desculpas. A violência é exagerada, quase pornográfica no mau sentido — e é exatamente isso que torna o filme tão poderoso. Vaniček domina o controle do ritmo de forma magistral: ele é o maestro do seu desconforto, escolhendo quando você respira e quando suprime a respiração.

Mas o que eleva o filme acima do mero espetáculo gore é a camada temática: o terror familiar, o luto, o abuso, a toxicidade que já existia muito antes de qualquer demônio aparecer. Os Deadites não criam o caos — eles expõem o que já estava podre.

Perco meio ponto por questões pontuais: em alguns momentos, a paleta visual escura demais dificulta enxergar a ação, e a crueldade implacável pode cansar os menos acostumados (a crítica da Vulture admitiu precisar que o filme acabasse antes dos 30 minutos). Mas para quem, como eu, ama o gênero na sua forma mais extrema, é uma experiência inesquecível.

Souheila Yacoub é uma final girl de ferir a alma, os Deadites estão mais vis e inteligentes do que nunca, e Vaniček provou que está à altura do legado de Sam Raimi — sem imitá-lo.

Veredito: O terror mais brutal do ano e o capítulo mais cruel da franquia Evil Dead. Sangrento, visceral, agonizante e impossível de esquecer. Se você aguentar o choque, vai agradecer.


⚠️ AVISO DE SPOILERZÃO ⚠️ 

A partir daqui terá UM SPOILERZÃO!

Se você ainda não assistiu a esta obra e não quer estragar a experiência, PARE AGORA!

Role para baixo apenas se estiver preparado(a) ou se já viu o filme/série.

Quem quiser voltar depois de assistir, é só lembrar deste ponto!

Você foi avisado(a)! Continue por sua conta e risco... 


Saúde Mother F$%&*@#


A Seção SPOILERZÃO — A Morte do Demônio: Em Chamas

O final explicado (com spoilers):


A conexão com A Ascensão e a origem do mal:

O filme começa conectando-se diretamente ao capítulo anterior. A infame Deadite Jessica — a mesma que encerrou A Morte do Demônio: A Ascensão (2023) — aparece num lago, assassina uns pescadores de forma brutal e vai para a beira da estrada. Lá, ela propositalmente faz com que o carro de Will capote, possuindo o marido de Alice logo após o acidente.

Ou seja: o "acidente de carro" que matou Will nunca foi um acidente. Foi a maldição Kandariana, dentro de um plano maior: infiltrar-se numa nova família para caçar a Adaga Kandariana.


A Adaga Kandariana e os "Wise Men":

O Necronomicon desta vez não é apenas o livro de capa de couro humano. Pela primeira vez em 45 anos, ele aparece disfarçado — se passando por um diário comum numa biblioteca, até ser aberto e revelar feitiços escritos em sangue humano. Ele foi criado por um antepassado de Alice, contendo páginas extraídas do livro original — o que abre a mitologia para cópias parciais espalhadas pelo tempo.

Dentro do livro, Alice descobre a existência da Adaga Kandariana — uma lâmina de aparência banal (quase um canivete), mas a única arma capaz de destruir um Deadite definitivamente. O problema? O Deadite — que agora tem um propósito inteligente pela primeira vez na franquia — também sabe disso, e faz de tudo para pegar a adaga antes dela.


A volta de Will carbonizado:

E aqui está o golpe final, o mais cruel de todos. Depois que a casa é consumida pelas chamas e Alice derrota a maioria dos sogros possuídos, o desfecho lhe reserva o confronto mais pessoal e traumatizante: o marido dela, Will, retorna dos mortos — literalmente carbonizado.

Não é um Will qualquer. O corpo do marido abusivo, consumido pelo fogo da casa em chamas, é reanimado pela entidade Kandariana e volta como um Deadite grotesco, com a pele derretida e enegrecida pelo calor, a carne chamuscada e os traços quase irreconhecíveis — uma visão aterrorizante e profundamente simbólica: o monstro que a atormentou em vida agora retorna do inferno para possuí-la de novo.

É o momento mais brutal e emocional do filme. Alice precisa enfrentar o fantasma literal do marido abusivo — aquele que a feriu durante anos — agora transformado em algo ainda mais monstruoso. A batalha é agonizante: Alice luta contra a imagem carbonizada daquele que deveria protegê-la, numa metáfora visceral e cruel de como o trauma do abuso nunca morre de verdade — volta sempre, de alguma forma, para assombrar a vítima.

No confronto final, Alice consegue vencer pela segunda vez. Ela mata Will pela segunda vez — não com misericórdia, mas com a fúria de quem se recusa a ser vítima de novo. No ápice, ela joga o cadáver carbonizado do marido num poço de piche fervente e o destrói definitivamente com um martelete, num dos momentos mais catárticos e animal da história da franquia.


A sobrevivência e o que vem depois:

Ao final, Alice é a única sobrevivente confirmada, tendo usado uma serra circular e a Adaga Kandariana para massacrar todos os sogros possuídos. O filme termina com ela acendendo um cigarro, despedaçada física e psicologicamente, sendo resgatada.

Mas as cenas pós-créditos deixam claro que o mal não acabou: a possessão continua ativa através de Polly e, num choque para os fãs, ressuscita a vilã Ellie de A Morte do Demônio: A Ascensão. O ciclo de terror está longe de terminar.

A protagonista que mais sofre na história da franquia

Se tem uma coisa que precisa ficar registrada, é esta: Alice é, depois de Ash (Bruce Campbell), a protagonista que mais sofre física e psicologicamente em toda a saga Evil Dead.

E não é exagero meu. Vamos aos fatos:

O dano físico — um corpo destroçado:

Ao longo da noite infernal, Alice é submetida a um suplício que testa até os limites do humano:

Cortes profundos e rasgos por todo o corpo, das lutas corpo a corpo com os Deadites

Dedos esmagados e quebrados nas portas e embates violentos

Maxilar e dentes danificados em socos e impactos brutais

Tímpano perfurado — o filme não poupa nem o sentido mais interno da audição, com Alice sofrendo danos graves e permanentes

Queimaduras pelo fogo que consome a casa

Ferimentos por arma branca da própria Adaga e da serra circular que ela usa para se defender

Choque e perda de sangue em escala quase insuportável, lutando até o fim mesmo com o corpo em colapso

É aquele tipo de sofrimento físico que a franquia sempre impôs ao Ash original — mas Alice precisa aguentar tudo isso sem o alívio cômico que Bruce Campbell sempre trouxe ao personagem. Aqui, o sofrimento é levado 100% a sério.


O dano psicológico — um tormento ainda pior:

Mas é no plano psicológico que Alice sofre de um jeito que nenhum protagonista da franquia jamais sofreu (nem mesmo Ash):

Ela perde o marido e precisa esconder dos sogros o segredo de que ele era um homem abusivo e violento

É tratada como intrusa pela própria família do marido, cercada de ressentimento e culpa silenciosa

Precisa matar a família inteira — não como estranhos possessos, mas como as pessoas que deveriam ter sido seu porto seguro no luto

E, acima de tudo, precisa matar o marido de novo — a figura carbonizada do abusador retornando dos mortos, obrigando-a a reviver o trauma em sua forma mais literal e monstruosa

Alice não é apenas uma sobrevivente de um terror sobrenatural. Ela é uma vítima de violência doméstica cujo agressor a persegue até depois da morte — física, emocional e, agora, demoníaca. É um retrato de trauma que nenhum outro final girl da franquia carregou tão pesadamente.

Quando os créditos sobem e vemos Alice despedaçada, acendendo um cigarro em meio aos destroços e ao fogo, não estamos diante de uma heroína vitoriosa. Estamos diante de uma mulher que sobreviveu — mas que carrega nas costas o peso de ter sido revitimizada da forma mais cruel possível. E é exatamente por isso que Alice é, sem sombra de dúvida, a protagonista que mais sofre na história de Evil Dead.


E ai, alguem ja passou por essa experiência de A Morte do Demônio em Chamas? Comente aqui

Obsessão (Obsession) | Resenha Crítica — "Ele só queria que ela o amasse mais do que tudo no mundo. E conseguiu. Pior pra ele."

 



Título:Obsessão (original: Obsession)
Ano:2026
Direção e Roteiro:Curry Barker
Gênero:Terror Psicológico / Thriller / Horror
Duração:1h 49min
Produção:Blumhouse, Tea Shop Productions, Capstone Pictures



ELENCO
Michael Johnston como Bear Bailey
Inde Navarrette como Nikki
Cooper Tomlinson como Ian
Megan Lawless como Sarah
Andy Richter como Carter


PRÊMIOS E DESTAQUE
O filme foi um dos grandes fenômenos do terror independente de 2026:
Prêmio do Público no Festival de Sitges (Espanha) — o mesmo festival onde Possessor brilhou
Estreou na Midnight Madness do Festival de Toronto (TIFF)
Sessões esgotadas no Fantastic Fest
93% de aprovação no Rotten Tomatoes (97% na fase de pré-lançamento)


ENREDO (Sem Spoilers)
Bear (Michael Johnston) é um funcionário tímido de uma loja de discos, romântico incurável que vive apaixonado pela melhor amiga e colega de trabalho, Nikki (Inde Navarrette). Incapaz de confessar seus sentimentos, ele acaba comprando, numa loja de antiguidades, um artefato mágico chamado One Wish Willow — um galho que supostamente realiza um único desejo para quem o quebrar.

Num impulso, Bear quebra o galho e pede aquilo que qualquer romântico desesperado pediria: "que Nikki me ame mais do que qualquer outra pessoa no mundo."

O desejo é atendido — e é aí que a pesadelo começa. Nikki passa a amar Bear de forma absoluta, sufocante e violenta. Ela mente para ele, o vigia enquanto dorme, tenta prendê-lo em casa e começa a caçar e matar qualquer pessoa que ameace se colocar entre ela e seu "amado". O que parecia um romance de conto de fadas se transforma num banho de sangue.

E o toque de gênio do filme? O artefato nunca foi amaldiçoado. Amaldiçoado era o desejo. Querer o amor de alguém à força, tirar a autonomia de uma pessoa até ela deixar de ser ela mesma — essa é a verdadeira maldição.

A PREMISSA É BOBA ?É,E É EXATAMENTE POR ISSO QUE FUNCIONA
Confesso: quando li a sinopse, achei a premissa real e genuinamente boba. Um garoto apaixonado que quebra um galhinho mágico para conquistar a crush? Isso tem tudo pra ser um desastre absoluto, um terrorzão descartável de domingo à tarde. Se não fosse o tino para o terror do diretor Curry Barker.

E é aqui que está a magia. Curry Barker pega essa premissa simples, quase infantil, e a transforma em um filmaço de terror. Ele prova que no cinema de gênero, o que importa não é a grandiosidade da ideia, mas sim a execução. Com um orçamento de apenas US$ 750 mil (inacreditavelmente baixo) e uma direção afiadíssima, Barker constrói uma tensão que cresce de forma quase sufocante — sem depender de jump scares baratos, usando luz, trilha sonora e o desconforto psicológico.

Ele entende que o terror mais eficaz não está no monstro, mas naquilo que nós, seres humanos, somos capazes de fazer uns com os outros.

INCEL-HORROR: o verdadeiro horror
Essa é a categoria que define Obsessão: um Incel-terror. O filme é uma crítica afiada, praticamente cirúrgica, ao homem que objetifica a mulher e faria de tudo para que ela fique, obedeça e o ame à força. Bear não é um rapaz apaixonado — é um sujeito que nunca aprendeu a aceitar um não. Ele não quer o amor de Nikki; ele quer a posse de Nikki.

Quando o desejo se realiza, não é Nikki quem se torna monstruosa — é o desejo de Bear que se materializa em sua forma mais pura e literal. O monstro nunca foi o brinquedo. Foi ele o tempo todo.

E o mais genial (e perturbador): o filme te faz torcer pelo "mocinho" errado por tempo suficiente para doer quando cai a ficha. Você acompanha a história pelo ponto de vista de Bear, simpatiza com ele no começo... e de repente percebe que está torcendo pelo vilão.

DESTAQUE Inde Navarrette
Obsessão é a consagração de Inde Navarrette. A atriz rouba completamente o filme.

Nikki pré-desejo e a "Nikki" pós-desejo são quase duas atrizes diferentes — com uma virada vocal e física tão completa que já está sendo comparada ao panteão das grandes vilãs do terror. Ela entrega uma performance crua, verdadeira e assustadoramente magnética. É aquele tipo de atuação que define uma geração no gênero.

CURIOSIDADES
Orçamento mínimo, bilheteria enorme: o filme custou entre US$ 750 mil e US$ 1 milhão e arrecadou cerca de US$ 14 milhões só no primeiro fim de semana nos EUA.
De R$ 4 mil (literalmente): antes de Obsessão, Curry Barker lançou no YouTube o found footage Milk & Serial (2024), feito por apenas US$ 800, que viralizou com mais de 1,6 milhão de views e abriu todas as portas de Hollywood para ele.
Final alterado por conselho do pai: o final original era um "Romeu e Julieta", com Nikki tirando a própria vida após a morte de Bear. Barker filmou essa versão, mas mudou de ideia após o próprio pai e pessoas próximas apontarem que era muito mais perturbador deixá-la viva para enfrentar as consequências.
Curry Barker tem 26 anos e já é considerado o novo nome do terror em Hollywood, com a Blumhouse e a Focus Features disputando seus projetos.
Furo de roteiro assumido: o próprio diretor admitiu que existe um "furo de roteiro" real no filme sobre a lógica do mundo onde os desejos acontecem — e brincou: "Se existe um mundo onde as pessoas fazem desejos, então dragões deveriam existir."
Michael Johnston é abertamente gay e se tornou o rosto mais reconhecível do filme, concedendo dezenas de entrevistas sobre representatividade LGBTQ+ no gênero terror.

NOTA 9 / 10
Obsessão é a prova definitiva de que premissa simples não é sinônimo de filme simples. Curry Barker parte de uma ideia que poderia facilmente render um desastre genérico e transforma tudo em um filmaço de terror, com uma crítica social afiadíssima sobre objetificação, posse e a cultura incel.

O filme funciona em várias camadas: é um terror psicológico tenso, é um slasher sangrento, é uma comédia negra delirante e é um retrato devastador do homem que encara a mulher como propriedade. E as consequências são trágicas — literalmente até os últimos segundos do filme, deixando Nikki gritando em meio à devastação que ela nunca escolheu.

A performance de Inde Navarrette é um fenômeno à parte, e a direção de Barker mostra uma maturidade impressionante para um cineasta de 26 anos com orçamento de US$ 750 mil.

Se perco meio ponto? Talvez por um ou outro deslize de roteiro (o próprio diretor admite o furo!) e por momentos em que o tom oscila um pouco demais entre o absurdo e o aterrorizante. Mas, sinceramente, são detalhes que passam quase despercebidos diante de um filme tão coeso, original e inquietante.



⚠️ AVISO DE SPOILERZÃO ⚠️ 

Inde Navarrette nas mãos de um incel




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A partir daqui terá UM SPOILERZÃO!

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Depois que seu desejo foge completamente do controle e causa várias mortes, Bear percebe que a única forma de quebrar a maldição do One Wish Willow é morrendo. Ele resolve tirar a própria vida e toma uma overdose de comprimidos.

Só que ele não cuspiu os comprimidos — e, enquanto agoniza, a Nikki ainda "possuída" usa outra One Wish Willow e faz um desejo: que Bear a ame com a mesma intensidade que ela o ama. O feitiço faz com que ele desista de tentar se salvar. Os dois se abraçam e se beijam — mas Bear acaba morrendo engasgado pela overdose.

A morte de Bear quebra a maldição. Nesse momento, a verdadeira Nikki finalmente recupera o controle do próprio corpo e percebe o horror de tudo o que aconteceu: os amigos estão mortos, Bear está morto, e ela foi forçada a cometer atos terríveis enquanto estava sob o efeito do desejo.

O filme termina com Nikki em estado de choque, gritando e encarando a devastação ao seu redor — punida por um crime que ela jamais escolheu cometer, vítima do desejo egoísta de um homem que não soube aceitar um não.

O final alternativo descartado: Curry Barker chegou a filmar um final no estilo "Romeu e Julieta", onde Nikki também tiraria a própria vida após a morte de Bear. Mas, ao assistir à atuação de Inde Navarrette e ouvir a opinião de seu pai, ele concluiu que deixá-la viva para enfrentar as consequências era muito mais perturbador. Acertou em cheio — é um dos finais mais indigestos do terror moderno.


E ai, ja assistiu OBSESSÃO?O que achou? Comente aqui para dialogarmos sobre









Possessor: Controlador de Mentes (Possessor) | Resenha Crítica — "Eu no teu corpo e você no meu corpo e tudo certo, ou será que não?"

 



Título: Possessor (br: Possessor: Controlador de Mentes)
Ano :2020
Direção e Roteiro:Brandon Cronenberg
Gênero: Ficção Científica / Terror Psicológico / Thriller
Duração:1h 43min
Estreia: Festival de Sundance — 25 de janeiro de 2020

ELENCO
Andrea Riseborough como Tasya Vos
Christopher Abbott como Colin Tate
Rossif Sutherland como Girder
Tuppence Middleton como Reeta
Sean Bean como John Parse
Jennifer Jason Leigh como Dra. Melis


PRÊMIOS E INDICAÇÕES
O filme levou o prêmio de Melhor Filme e Melhor Direção no prestigiado Festival de Sitges (Espanha), um dos maiores festivais de cinema fantástico da Europa. Também recebeu indicações ao Canadian Screen Awards nas categorias de Melhor Direção e Melhor Design de Maquiagem.

ENREDO (Sem Spoilers)
Tasya Vos é uma assassina corporativa de elite que utiliza uma tecnologia de implante cerebral para assumir o controle dos corpos de outras pessoas e executar seus alvos. O processo é simples, porém brutal: um eletrodo é inserido no crânio do hospedeiro, e a consciência de Tasya é transferida para a mente da vítima, que passa a agir sob seu comando total — incluindo o de cometer suicídio ao final de cada missão.

O problema começa quando Tasya, já abalada por sintomas neurológicos e uma crescente dissociação de sua própria identidade, aceita um novo trabalho e assume o corpo de Colin Tate. Só que Colin não é um hospedeiro qualquer — sua mente é forte o suficiente para resistir, e uma luta psicológica devastadora se instala: quem está realmente no controle?

O filme é uma reflexão perturbadora sobre identidade, livre-arbítrio e a fragilidade da consciência humana.

CURIOSIDADES
Zero CGI: De acordo com o cinefotógrafo Karim Hussain, nenhum efeito gerado por computador foi utilizado. Todos os efeitos visuais foram práticos e feitos em câmera, incluindo levitação acústica (objetos flutuando usando ondas sonoras) e uma ilusão óptica que faz a água parecer congelar ao sincronizar o obturador da câmera com um subwoofer.
23 versões do roteiro: Brandon Cronenberg começou a escrever o roteiro em 2011 e fez cerca de 23 reescritas ao longo dos anos.
Conexão com David Cronenberg: Jennifer Jason Leigh, que interpreta a Dra. Melis, já havia trabalhado com o pai de Brandon no clássico eXistenZ (1999).
Segundo longa-metragem de Brandon Cronenberg, após Antiviral (2012).
Orçamento modesto: O filme foi produzido com apenas US$ 2,5 milhões.

VIOLÊNCIA GRÁFICA
Um ponto que precisa ser destacado: Possessor não alivia para o espectador. A violência física é crua, visceral e filmada sem pudor algum. As cenas de assassinato são desconfortáveis de tão realistas, e o filme faz questão de não desviar o olhar nos momentos mais brutais. Se você é sensível a gore e violência explícita, esse filme vai te testar.

DESTAQUE: Christopher Abbott
Christopher Abbott entrega uma das melhores performances de sua carreira como Colin Tate. O ator consegue transmitir a dualidade de um homem que luta para manter o controle do próprio corpo e da própria mente com uma intensidade assombrosa. A forma como ele transita entre vulnerabilidade e fúria contida é simplesmente magnética.

NOTA: 8,5 / 10
Possessor é um filme que te agarra, te desconforta e te faz pensar. A direção de Brandon Cronenberg é segura, a atmosfera é sufocante no melhor sentido, e as atuações são de altíssimo nível.

Mas por que não uma nota mais alta? O problema está nos 10 minutos finais — mais especificamente, nos últimos 40 a 60 segundos do filme. O desfecho é chocante, sim, e tem impacto. Porém, o final é aberto de um jeito que não funciona. É aquela sensação de que faltou alguma coisa, de que o roteiro poderia ter fechado com mais precisão e intenção.

Mesmo assim, a experiência como um todo é tão intensa e original que o filme merece demais a nota.




⚠️ AVISO DE SPOILERZÃO ⚠️ 


Christopher Abbott Put...da vida


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A Seção SPOILERZÃO — Possessor
O final explicado 

No clímax, a batalha mental entre Tasya e Colin chega a um ponto insustentável. Colin luta ferozmente contra o controle de Tasya, e o filme brinca com a ambiguidade de quem está no comando. Ao final, Tasya consegue concluir a missão — mata o alvo — mas o processo a deixa destroçada.

Nos momentos finais, Tasya retorna ao seu corpo e se esforça para retomar sua vida "normal" ao lado do marido e do filho mas ao chegar em casa Colin toma o controle do corpo de Tasya e por vingança ou desequilíbrio ela mata violentamente seu marido e seu filho pequeno em cenas chocantes difíceis de esquecer

Mas a sequência final sugere que algo dentro dela se perdeu para sempre — ou pior, que o preço de suas missões foi o completo desaparecimento de sua própria identidade. O filme termina de forma ambígua, deixando ao espectador a dúvida: será que Tasya ainda é Tasya — ou apenas mais um hospedeiro habitado por outra consciência?

E é exatamente esse final aberto, sem fechamento claro, que incomoda nos últimos 40-60 segundos: a sensação de que faltou um último golpe de fechamento para a história.




segunda-feira, 20 de abril de 2026

Gente Pobre - autor Fiodor Dostoiévski - Editora -Editora Principais - 162 páginas

 “O homem pobre também tem amor-próprio.”— Gente Pobre, de Dostoiévski



Confesso que cometi um “pecado” literário ao comprar este livro.

Adquiri Gente Pobre simplesmente pelo título — algo que raramente faço. Normalmente, pesquiso antes: leio sinopses, opiniões, procuro entender minimamente a proposta da obra. Desta vez, não.

O único conhecimento que eu tinha era sobre o autor, Fiódor Dostoiévski. Mas, curiosamente, nada sabia sobre a história em si. Foi o título que me fisgou. Gente Pobre. Simples, direto… e estranhamente familiar.

Talvez tenha sido identificação imediata — afinal, também me considero um “pobretao”. Claro, não nos moldes extremos vividos pelos protagonistas deste livro… mas ainda assim, o suficiente para despertar curiosidade.

E assim, sem saber exatamente no que estava me metendo, levei o livro para casa.

Agora, te convido a fazer o mesmo: embarcar comigo por alguns instantes na pobreza alheia — porque a nossa… bem, essa já basta.


Resumo de Gente Pobre (sem spoilers)

A história de Gente Pobre é contada por meio de cartas trocadas entre Makar Diévuchkin, um funcionário público de baixa renda, e Varvara Dobrossiélova, uma jovem órfã que luta para sobreviver.

Mas não se engane pela simplicidade da proposta: por trás dessas cartas existe um retrato brutal da vida na São Petersburgo — uma cidade fria, cinzenta e indiferente, onde pessoas como Makar e Varvara parecem não existir aos olhos do mundo.

Eles vivem em quartos apertados, cercados por dificuldades constantes, contando moedas e medindo cada pequena decisão do dia a dia. Ainda assim, é justamente nesse cenário sufocante que nasce algo inesperado: uma relação profundamente humana, feita de cuidado, afeto e uma necessidade quase desesperada de não se sentirem sozinhos.

O que torna a obra de Fiódor Dostoiévski tão marcante não é apenas a pobreza material — é a forma como ela invade a mente, corrói a autoestima e testa, a todo momento, a dignidade dos personagens. Aqui, cada gesto simples carrega peso, cada palavra importa, e cada pequena esperança parece lutar contra um mundo inteiro que insiste em esmagá-los.

Não há grandes reviravoltas, nem acontecimentos espetaculares. E talvez seja exatamente isso que torna tudo tão desconfortável: a dor apresentada é silenciosa, cotidiana e real demais. Gente Pobre não grita — ele sussurra… e esse sussurro é o que mais incomoda.


A gente termina Gente Pobre achando que leu sobre outras pessoas…até perceber que, em algum nível, a história também é sobre a gente.


Fiódor Dostoiévski não escreveu apenas sobre pobreza — escreveu sobre invisibilidade.E o mais desconfortável é perceber que o mundo mudou muito…mas continua fingindo que não vê as mesmas pessoas.


A leitura me deixou com a sensação de que ser pobre não é o que mais dói — o que dói é quando o mundo faz você acreditar que, por isso, você vale menos.


Sobre o autor

Fiódor Dostoiévski nasceu em 1821, na Moscou, e é considerado um dos maiores nomes da literatura mundial. Antes de se dedicar totalmente à escrita, estudou engenharia militar, mas sua verdadeira vocação sempre foi a literatura.

Gente Pobre, publicado em 1846, foi seu primeiro romance — e já chamou atenção por sua sensibilidade social e psicológica. A obra dialoga com tradições literárias russas da época, especialmente influências de Nikolai Gogol, abordando a vida dos mais humildes com uma profundidade incomum.


Se Gente Pobre foi só o começo, Dostoiévski ainda tem muito mais a oferecer — e, aviso logo: não são leituras leves, mas dificilmente passam despercebidas.


Outras obras de Dostoiévski

  • Crime e Castigo
  • Os Irmãos Karamázov
  • O Idiota
  • Memórias do Subsolo
  • Os Demônios (também publicado como Os Possessos)
  • O Jogador
  • Noites Brancas
  • Humilhados e Ofendidos




terça-feira, 26 de agosto de 2025

A Casa dos Pesadelos - Autor Marcos Debrito - Editora Faro Editorial- 144 páginas


Caso queiram pular essa pequena introdução pulem até RESENHA "A CASA DOS PESADELOS".

Esse ano de 2025, estou um pouco na fase dos livros nacionais de horror/suspense, entre os ja postados aqui no blog como "Jantar Secreto" e "Vilarejo" do badalado  Raphael Montes , Numezu de Jorge Alexandre Moreira Moreira,"Até os Demonios podem Chorar" de Evandro Augusto Silva,"O Encanto dos Lobisomens"   e outros que ainda serao postados em breve e assim continuarei nesse ano de 2025 inteiro.

 O motivo? São vários.


Numezu 
Jantar Secreto


O Vilarejo



Até os Demônios podem Chorar


O Encanto dos Lobisomens


1°motivo: incentivar a leitores a comprarem mais livros de horror/suspense nacionais brazucas.

2° Conhecer e divulgar autores que eu não conheço/conhecia.

3°Vou lançar alguns livros de horror até 2026,com três em fase finalização, então quero conhecer o que tem de horror nacional por ai para tentar melhorar alguns pontos antes do envio para as plataformas.

Em pesquisas recentes de livros de horror/suspense nacionais me deparei com esse livro de 2018 "A Casa dos Pesadelos" do autor Marcos DeBrito, e em uma viagem para João Pessoa na Paraiba me deparei com o maior sebo de livros que eu ja vi na vida com mais 400.000 exemplares físicos no local e claro que nao resisti,de tantos livros que eu queria comprar que anotei e acabei deixando em casa ,e o unico que lembrei na hora da correria foi esse "A Casa dos Pesadelos" e foi nesse sebo,o maior que vi, que adquiri esse livro.



RESENHA: A Casa dos Pesadelos – Terror psicológico ou só um pesadelo mesmo?

Vi por aí, em outros blogs e resenhas, que A Casa dos Pesadelos tem sido apontado como um bom exemplar de terror psicológico, com escrita fluida e aquele famoso plot twist no final que todo mundo adora comentar sem contar. Confesso que esses elogios me chamaram atenção. Soma isso ao fato de ser um livro curto, com apenas 144 páginas — ou seja, perfeito para devorar em um único dia — e pronto: mergulhei na leitura com expectativas.


A trama é simples, direta: Laura decide visitar a casa da mãe, Célia, após dez anos afastada. Vai acompanhada dos dois filhos — o caçula Bruno, de seis anos, e Tiago, o mais velho, de 16 — justamente o filho que tem motivos de sobra para não querer pisar lá de novo. Algo muito traumático aconteceu com Tiago naquela casa, quando ele era criança, e isso o marcou profundamente.


E é aí que começa o problema... não da história em si, mas da minha relação com o personagem.


Logo nas primeiras páginas, percebi que, em vez de empatia pelo adolescente traumatizado, o que eu sentia era raiva. Sério. Algo do tipo: “Putz, que moleque chato da porr@!” — e olha que eu até tentei compreender. Mas o autor não ajuda. Em vez de desenvolver o drama de Tiago com nuances e evolução, ele insiste em esfregar o trauma do personagem a cada página, como se o leitor fosse esquecer. A gente entendeu, amigo, na primeira vez.


Essa repetição não gera mais compaixão — só cansaço.


Os personagens, de forma geral, não são muito profundos. Talvez o autor tenha tentado investir nesse lado com Tiago, mas ficou na tentativa. E tudo bem, em histórias de terror a gente nem sempre exige protagonistas com camadas shakesperianas. Se o livro nos entrega sangue, tensão, atmosfera, mortes bizarras e descrições que grudam na pele — já vale. O problema é que A Casa dos Pesadelos também falha um pouco nesse quesito.


A ambientação até começa interessante. Quando a família chega à casa da avó — hoje viúva — o clima de desconforto já se instala. A tal casa é palco do suposto assédio sobrenatural que Tiago teria sofrido anos antes. Só que ninguém, nem a mãe nem a avó, acreditou nele. Resultado: anos de terapia e um rancor que parece ter fermentado dentro do garoto.


A avó, Célia, tenta de tudo para se reaproximar do neto, que antes era grudado nela. Mas Tiago permanece frio, fechado, com o ranço no modo hard. E aí vem a virada: depois da primeira noite na casa, o irmãozinho Bruno relata que viu “um monstro” em seu quarto. Mesma coisa que Tiago dizia ter visto quando criança.


Então... Tiago estava certo o tempo todo? Bruno também está sendo assombrado? Ou será que a família inteira vai entrar num surto coletivo de férias?


O livro começa a caminhar por aí. Tiago, entre irritações e rompantes, tenta proteger o irmão e provar que nunca mentiu. Mas será que ele está mesmo em condições de ser o herói da história?


Vale a pena?

Se você curte histórias com um pé no drama familiar e outro no suspense psicológico, talvez A Casa dos Pesadelos te agrade. O livro tem potencial, sim — e um final que tenta surpreender — mas peca na repetição, nos personagens pouco trabalhados e na falta de um verdadeiro clima de terror.


Faltou sangue? Faltou medo? Faltou um pouco de tudo, pra ser honesto.


Mas é uma leitura rápida, e se você não for tão implicante com o Tiago quanto eu fui, pode até curtir. Só não diga que eu não avisei.