A resenha de A Morte do Demônio Em Chamas (Evil Dead Burn, 2026) | Resenha Crítica — você vai ler agora é sobre o sexto filme da franquia criada por Sam Raimi. Se você é fã de terror sanguinolento, prepare-se: este é um dos filmes mais brutais do ano.
Título: A Morte do Demônio: Em Chamas (original: Evil Dead Burn)
Ano::Sébastien Vaniček
Roteiro: Sébastien Vaniček e Florent Bernard
Gênero: Terror Sobrenatural / Slasher / Gore
Duração:1h 50min
Produção: New Line Cinema, Screen Gems, Ghost House Pictures (Rob Tapert e Sam Raimi)
Distribuição:Warner Bros.
ELENCO de A Morte do Demônio Em Chamas
Souheila Yacoub como Alice
Tandi Wright como Susan (a sogra)
Hunter Doohan como Joseph
Luciane Buchanan como Thya
Erroll Shand, Maude Davey e George Pullar como elenco de apoio
PRÊMIOS E DESTAQUES
O sexto filme da franquia A Morte do Demônio já chega com status de um dos terrores mais brutais do ano:
Aclamado pelo público de horror hardcore em sessões de pré-estreia com um orçamento de US$ 20 milhões
Dirigido por Sébastien Vaniček, diretor francês do elogiado terror Infestação (2023) — o filme das aranhas
Produzido pelo próprio Sam Raimi e por Rob Tapert, garantindo a autenticidade do legado
Recepção da crítica dividida: uns o chamam de "orgia de caos não-modulado", outros de "negrito e brutal" — mas todos concordam: é o Deadite mais vilão da franquia
ENREDO (Sem Spoilers)
Alice (Souheila Yacoub) acaba de perder o marido, Will, em um acidente. Em busca de consolo, ela se refugia na casa isolada dos sogros — mas o que deveria ser um momento de despedida e apoio se transforma rapidamente num ambiente hostil e sufocante, repleto de ressentimentos antigos, acusações veladas e uma estrutura familiar tóxica construída sobre silêncio e culpa.
Para piorar, Alice guarda um segredo que a família não conhece: o falecido Will era um homem abusivo e violento — algo que ela esconde dos sogros a todo custo.
Mas o reencontro familiar vira um verdadeiro inferno quando uma força maligna começa a possuir os moradores um a um, convertendo-os em Deadites — as criaturas demoníacas sanguinárias da franquia. Presa na propriedade, Alice precisará lutar para sobreviver enquanto o lugar familiar se transforma num verdadeiro abismo de sangue e fogo.
E, desta vez, os Deadites têm um propósito que nunca existiu antes na franquia: estão atrás de uma adaga ancestral — a única arma capaz de matá-los definitivamente.
SANGRENTO,VISCERAL E AGONIZANTE
Vamos ao que interessa: esse filme é uma carnificina. Sébastien Vaniček não veio para fazer média — ele veio para testar sua tolerância ao choque.
Isso não é um terror de sustos e atmosfera. Isso é um terror que revela na agonia física: ganchos de pesca arrancando pele, homens sendo fervidos vivos num lago, corpos sendo esquarteajados, cabeças esmagadas, dedos quebrados em portas e carne em chamas derretendo como carne de porco desfiada. A violência começa nos primeiros minutos e não te dá trégua.
Para os fãs de gore: é um banquete. Para os sensíveis: é uma provação. O diretor declarou em entrevista seu método: "Quero escolher quando você respira, aliviar a pressão e depois colocar a pressão de volta." E ele cumpre à risca. Cada vez que você acha que vai aliviar, Vaniček aperta o nó outra vez.
É o mais brutal de toda a franquia — até para os padrões Evil Dead. Vaniček, com raízes na escola do "New French Extremity" (o movimento francês de terror extremo), trouxe para a franquia uma crueza que nem os filmes anteriores ousaram.
O VERDADEIRO TERROR: a família
Mas não é só sangue e vísceras. A Morte do Demônio: Em Chamas tem uma camada a mais: o verdadeiro monstro nunca foi apenas o Deadite — é a própria família.
A grande sacada do roteiro é mostrar que os Deadites não criam o caos daquela casa. Eles apenas escancaram as feridas que já estavam escondidas. Alice carrega o peso de ter sido vítima de abuso do marido morto, e os sogros a tratam como intrusa, num ambiente governado por um patriarca controlador, silêncio e culpa.
O demônio chega e absorve toda essa podridão latente — transformando o luto, a culpa e a raiva familiar em algo sobrenatural e mortal. A possessão se torna, ao mesmo tempo, literal e simbólica: um retrato devastador de como ambientes familiares tóxicos já estavam destruídos muito antes de qualquer livro amaldiçoado aparecer.
DESTAQUE Souheila Yacoub
Souheila Yacoub (de Duna: Parte 2) é uma força da natureza. Sua personagem, Alice, é uma final girl de dar orgulho à franquia — e o background da atriz como ginasta profissional vem bem a calhar nas sequências de ação física e acrobacias.
O que torna Alice especial, porém, é a bagagem emocional: ela vem de um luto pesado e de um casamento abusivo que esconde da família — e precisa equilibrar a dor, a culpa e a sobrevivência em meio ao caos demoníaco. Yacoub entrega tudo isso com uma intensidade que sustenta o filme inteiro: é dura, frágil, ferida e implacável, tudo ao mesmo tempo.
HONRANDO SAM RAIMI SEM PERDER A IDENTIDADE
Sébastien Vaniček consegue a proeza de honrar Raimi sem abrir mão da própria identidade. Os fãs vão sentir as referências ao clássico de 1981 — a cabana, o Necronomicon, a câmera maluca, o terror que transcende o físico — mas a marca do diretor francês está em cada plano: a direção de fotografia fria e lamacenta, as tomadas longas caóticas, os movimentos de câmera que desafiam a gravidade e a crueldade implacável dos Deadites.
É o sexto filme da franquia e ainda consegue trazer novidades: os Deadites nunca tiveram um propósito além de devorar almas — aqui, pela primeira vez, eles estão na defensiva, e estão irritados. E isso os torna ainda mais letais.
CURIOSIDADES
Produção na Nova Zelândia: como os últimos filmes da franquia, foi rodado na Nova Zelândia — uma escolha consolidada desde que Rob Tapert produziu Xena no país nos anos 1990.
Novo Necronomicon: pela primeira vez em 45 anos, o livro amaldiçoado ganhou uma nova forma, se passando por um diário comum — criado por um antepassado de Alice, contendo páginas do livro original. Isso abre toda a mitologia para cópias parciais espalhadas pelo tempo.
Metade do elenco é neozelandês: contrariando a tradição, vários papéis principais foram preenchidos por atores e atrizes kiwis, incluindo Tandi Wright, uma das mais conhecidas atrizes da TV local.
Trilha sonora de peso: composta pela dupla francesa Double Dragon, conhecida por música eletrônica atmosférica.
Conexão direta com A Ascensão: o filme é uma sequência de A Morte do Demônio: A Ascensão (2023), quebrando a regra de 45 anos da franquia como antologia — agora existe uma cronologia construída.
Diretor de Infestação: Vaniček se consagrou nos festivais com Infestação (2023), terror de aranhas assassinas exibido no Shudder.
O luto como arma: a crítica notou a influência de filmes como Mistério e Obsessão no tema do abuso doméstico, mas Vaniček o usa de forma mais crua e sem finesse — como mais uma arma num arsenal de miséria.
NOTA: 9,5 / 10
A Morte do Demônio: Em Chamas é sangrento, visceral e agonizante — e na minha opinião, um dos melhores filmes do ano, e certamente o mais brutal da franquia Evil Dead.
É um terror que não alivia, não pisca e não pede desculpas. A violência é exagerada, quase pornográfica no mau sentido — e é exatamente isso que torna o filme tão poderoso. Vaniček domina o controle do ritmo de forma magistral: ele é o maestro do seu desconforto, escolhendo quando você respira e quando suprime a respiração.
Mas o que eleva o filme acima do mero espetáculo gore é a camada temática: o terror familiar, o luto, o abuso, a toxicidade que já existia muito antes de qualquer demônio aparecer. Os Deadites não criam o caos — eles expõem o que já estava podre.
Perco meio ponto por questões pontuais: em alguns momentos, a paleta visual escura demais dificulta enxergar a ação, e a crueldade implacável pode cansar os menos acostumados (a crítica da Vulture admitiu precisar que o filme acabasse antes dos 30 minutos). Mas para quem, como eu, ama o gênero na sua forma mais extrema, é uma experiência inesquecível.
Souheila Yacoub é uma final girl de ferir a alma, os Deadites estão mais vis e inteligentes do que nunca, e Vaniček provou que está à altura do legado de Sam Raimi — sem imitá-lo.
Veredito: O terror mais brutal do ano e o capítulo mais cruel da franquia Evil Dead. Sangrento, visceral, agonizante e impossível de esquecer. Se você aguentar o choque, vai agradecer.
⚠️ AVISO DE SPOILERZÃO ⚠️
A partir daqui terá UM SPOILERZÃO!
Se você ainda não assistiu a esta obra e não quer estragar a experiência, PARE AGORA!
Role para baixo apenas se estiver preparado(a) ou se já viu o filme/série.
Quem quiser voltar depois de assistir, é só lembrar deste ponto!
Você foi avisado(a)! Continue por sua conta e risco...
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| Saúde Mother F$%&*@# |
A Seção SPOILERZÃO — A Morte do Demônio: Em Chamas
O final explicado (com spoilers):
A conexão com A Ascensão e a origem do mal:
O filme começa conectando-se diretamente ao capítulo anterior. A infame Deadite Jessica — a mesma que encerrou A Morte do Demônio: A Ascensão (2023) — aparece num lago, assassina uns pescadores de forma brutal e vai para a beira da estrada. Lá, ela propositalmente faz com que o carro de Will capote, possuindo o marido de Alice logo após o acidente.
Ou seja: o "acidente de carro" que matou Will nunca foi um acidente. Foi a maldição Kandariana, dentro de um plano maior: infiltrar-se numa nova família para caçar a Adaga Kandariana.
A Adaga Kandariana e os "Wise Men":
O Necronomicon desta vez não é apenas o livro de capa de couro humano. Pela primeira vez em 45 anos, ele aparece disfarçado — se passando por um diário comum numa biblioteca, até ser aberto e revelar feitiços escritos em sangue humano. Ele foi criado por um antepassado de Alice, contendo páginas extraídas do livro original — o que abre a mitologia para cópias parciais espalhadas pelo tempo.
Dentro do livro, Alice descobre a existência da Adaga Kandariana — uma lâmina de aparência banal (quase um canivete), mas a única arma capaz de destruir um Deadite definitivamente. O problema? O Deadite — que agora tem um propósito inteligente pela primeira vez na franquia — também sabe disso, e faz de tudo para pegar a adaga antes dela.
A volta de Will carbonizado:
E aqui está o golpe final, o mais cruel de todos. Depois que a casa é consumida pelas chamas e Alice derrota a maioria dos sogros possuídos, o desfecho lhe reserva o confronto mais pessoal e traumatizante: o marido dela, Will, retorna dos mortos — literalmente carbonizado.
Não é um Will qualquer. O corpo do marido abusivo, consumido pelo fogo da casa em chamas, é reanimado pela entidade Kandariana e volta como um Deadite grotesco, com a pele derretida e enegrecida pelo calor, a carne chamuscada e os traços quase irreconhecíveis — uma visão aterrorizante e profundamente simbólica: o monstro que a atormentou em vida agora retorna do inferno para possuí-la de novo.
É o momento mais brutal e emocional do filme. Alice precisa enfrentar o fantasma literal do marido abusivo — aquele que a feriu durante anos — agora transformado em algo ainda mais monstruoso. A batalha é agonizante: Alice luta contra a imagem carbonizada daquele que deveria protegê-la, numa metáfora visceral e cruel de como o trauma do abuso nunca morre de verdade — volta sempre, de alguma forma, para assombrar a vítima.
No confronto final, Alice consegue vencer pela segunda vez. Ela mata Will pela segunda vez — não com misericórdia, mas com a fúria de quem se recusa a ser vítima de novo. No ápice, ela joga o cadáver carbonizado do marido num poço de piche fervente e o destrói definitivamente com um martelete, num dos momentos mais catárticos e animal da história da franquia.
A sobrevivência e o que vem depois:
Ao final, Alice é a única sobrevivente confirmada, tendo usado uma serra circular e a Adaga Kandariana para massacrar todos os sogros possuídos. O filme termina com ela acendendo um cigarro, despedaçada física e psicologicamente, sendo resgatada.
Mas as cenas pós-créditos deixam claro que o mal não acabou: a possessão continua ativa através de Polly e, num choque para os fãs, ressuscita a vilã Ellie de A Morte do Demônio: A Ascensão. O ciclo de terror está longe de terminar.
A protagonista que mais sofre na história da franquia
Se tem uma coisa que precisa ficar registrada, é esta: Alice é, depois de Ash (Bruce Campbell), a protagonista que mais sofre física e psicologicamente em toda a saga Evil Dead.
E não é exagero meu. Vamos aos fatos:
O dano físico — um corpo destroçado:
Ao longo da noite infernal, Alice é submetida a um suplício que testa até os limites do humano:
Cortes profundos e rasgos por todo o corpo, das lutas corpo a corpo com os Deadites
Dedos esmagados e quebrados nas portas e embates violentos
Maxilar e dentes danificados em socos e impactos brutais
Tímpano perfurado — o filme não poupa nem o sentido mais interno da audição, com Alice sofrendo danos graves e permanentes
Queimaduras pelo fogo que consome a casa
Ferimentos por arma branca da própria Adaga e da serra circular que ela usa para se defender
Choque e perda de sangue em escala quase insuportável, lutando até o fim mesmo com o corpo em colapso
É aquele tipo de sofrimento físico que a franquia sempre impôs ao Ash original — mas Alice precisa aguentar tudo isso sem o alívio cômico que Bruce Campbell sempre trouxe ao personagem. Aqui, o sofrimento é levado 100% a sério.
O dano psicológico — um tormento ainda pior:
Mas é no plano psicológico que Alice sofre de um jeito que nenhum protagonista da franquia jamais sofreu (nem mesmo Ash):
Ela perde o marido e precisa esconder dos sogros o segredo de que ele era um homem abusivo e violento
É tratada como intrusa pela própria família do marido, cercada de ressentimento e culpa silenciosa
Precisa matar a família inteira — não como estranhos possessos, mas como as pessoas que deveriam ter sido seu porto seguro no luto
E, acima de tudo, precisa matar o marido de novo — a figura carbonizada do abusador retornando dos mortos, obrigando-a a reviver o trauma em sua forma mais literal e monstruosa
Alice não é apenas uma sobrevivente de um terror sobrenatural. Ela é uma vítima de violência doméstica cujo agressor a persegue até depois da morte — física, emocional e, agora, demoníaca. É um retrato de trauma que nenhum outro final girl da franquia carregou tão pesadamente.
Quando os créditos sobem e vemos Alice despedaçada, acendendo um cigarro em meio aos destroços e ao fogo, não estamos diante de uma heroína vitoriosa. Estamos diante de uma mulher que sobreviveu — mas que carrega nas costas o peso de ter sido revitimizada da forma mais cruel possível. E é exatamente por isso que Alice é, sem sombra de dúvida, a protagonista que mais sofre na história de Evil Dead.
E ai, alguem ja passou por essa experiência de A Morte do Demônio em Chamas? Comente aqui