Título: Possessor (br: Possessor: Controlador de Mentes)Ano :2020Direção e Roteiro:Brandon CronenbergGênero: Ficção Científica / Terror Psicológico / ThrillerDuração:1h 43minEstreia: Festival de Sundance — 25 de janeiro de 2020
ELENCO
Andrea Riseborough como Tasya Vos
Christopher Abbott como Colin Tate
Rossif Sutherland como Girder
Tuppence Middleton como Reeta
Sean Bean como John Parse
Jennifer Jason Leigh como Dra. Melis
PRÊMIOS E INDICAÇÕES
O filme levou o prêmio de Melhor Filme e Melhor Direção no prestigiado Festival de Sitges (Espanha), um dos maiores festivais de cinema fantástico da Europa. Também recebeu indicações ao Canadian Screen Awards nas categorias de Melhor Direção e Melhor Design de Maquiagem.
ENREDO (Sem Spoilers)
Tasya Vos é uma assassina corporativa de elite que utiliza uma tecnologia de implante cerebral para assumir o controle dos corpos de outras pessoas e executar seus alvos. O processo é simples, porém brutal: um eletrodo é inserido no crânio do hospedeiro, e a consciência de Tasya é transferida para a mente da vítima, que passa a agir sob seu comando total — incluindo o de cometer suicídio ao final de cada missão.
O problema começa quando Tasya, já abalada por sintomas neurológicos e uma crescente dissociação de sua própria identidade, aceita um novo trabalho e assume o corpo de Colin Tate. Só que Colin não é um hospedeiro qualquer — sua mente é forte o suficiente para resistir, e uma luta psicológica devastadora se instala: quem está realmente no controle?
O filme é uma reflexão perturbadora sobre identidade, livre-arbítrio e a fragilidade da consciência humana.
CURIOSIDADES
Zero CGI: De acordo com o cinefotógrafo Karim Hussain, nenhum efeito gerado por computador foi utilizado. Todos os efeitos visuais foram práticos e feitos em câmera, incluindo levitação acústica (objetos flutuando usando ondas sonoras) e uma ilusão óptica que faz a água parecer congelar ao sincronizar o obturador da câmera com um subwoofer.
23 versões do roteiro: Brandon Cronenberg começou a escrever o roteiro em 2011 e fez cerca de 23 reescritas ao longo dos anos.
Conexão com David Cronenberg: Jennifer Jason Leigh, que interpreta a Dra. Melis, já havia trabalhado com o pai de Brandon no clássico eXistenZ (1999).
Segundo longa-metragem de Brandon Cronenberg, após Antiviral (2012).
Orçamento modesto: O filme foi produzido com apenas US$ 2,5 milhões.
VIOLÊNCIA GRÁFICA
Um ponto que precisa ser destacado: Possessor não alivia para o espectador. A violência física é crua, visceral e filmada sem pudor algum. As cenas de assassinato são desconfortáveis de tão realistas, e o filme faz questão de não desviar o olhar nos momentos mais brutais. Se você é sensível a gore e violência explícita, esse filme vai te testar.
DESTAQUE: Christopher Abbott
Christopher Abbott entrega uma das melhores performances de sua carreira como Colin Tate. O ator consegue transmitir a dualidade de um homem que luta para manter o controle do próprio corpo e da própria mente com uma intensidade assombrosa. A forma como ele transita entre vulnerabilidade e fúria contida é simplesmente magnética.
NOTA: 8,5 / 10
Possessor é um filme que te agarra, te desconforta e te faz pensar. A direção de Brandon Cronenberg é segura, a atmosfera é sufocante no melhor sentido, e as atuações são de altíssimo nível.
Mas por que não uma nota mais alta? O problema está nos 10 minutos finais — mais especificamente, nos últimos 40 a 60 segundos do filme. O desfecho é chocante, sim, e tem impacto. Porém, o final é aberto de um jeito que não funciona. É aquela sensação de que faltou alguma coisa, de que o roteiro poderia ter fechado com mais precisão e intenção.
Mesmo assim, a experiência como um todo é tão intensa e original que o filme merece demais a nota.
⚠️ AVISO DE SPOILERZÃO ⚠️
A partir daqui terá UM SPOILERZÃO!
Se você ainda não assistiu a esta obra e não quer estragar a experiência, PARE AGORA E VOLTE APENAS DEPOIS DE ASSISTIR .
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Quem quiser voltar depois de assistir, é só lembrar deste ponto!
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A Seção SPOILERZÃO — Possessor
O final explicado
No clímax, a batalha mental entre Tasya e Colin chega a um ponto insustentável. Colin luta ferozmente contra o controle de Tasya, e o filme brinca com a ambiguidade de quem está no comando. Ao final, Tasya consegue concluir a missão — mata o alvo — mas o processo a deixa destroçada.
Nos momentos finais, Tasya retorna ao seu corpo e se esforça para retomar sua vida "normal" ao lado do marido e do filho mas ao chegar em casa Colin toma o controle do corpo de Tasya e por vingança ou desequilíbrio ela mata violentamente seu marido e seu filho pequeno em cenas chocantes difíceis de esquecer
Mas a sequência final sugere que algo dentro dela se perdeu para sempre — ou pior, que o preço de suas missões foi o completo desaparecimento de sua própria identidade. O filme termina de forma ambígua, deixando ao espectador a dúvida: será que Tasya ainda é Tasya — ou apenas mais um hospedeiro habitado por outra consciência?
E é exatamente esse final aberto, sem fechamento claro, que incomoda nos últimos 40-60 segundos: a sensação de que faltou um último golpe de fechamento para a história.
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