Alerta para os gatilhos O livro é de horror extremo e poderá causar sensações de nojo e desconforto.
Psicopatas e serial killers são, atualmente, o foco das minhas leituras e pesquisas. Esse interesse também fez parte do processo de pesquisa para o meu livro, que em breve será lançado. Embora o livro já esteja finalizado e passe agora pelas etapas finais junto à editora, continuo consumindo esse tipo de material — desta vez, como uma espécie de pós-pesquisa.
Segundo a editora responsável pelo meu livro, a obra se enquadra no horror extremo — e, pelo que me disseram, até a equipe editorial ficou um pouco chocada com o conteúdo. Ao encontrar Sedento por Sangue, de Victor Cayke, também descrito pelo próprio autor como horror extremo, fiquei curioso. Queria encontrar uma referência, uma espécie de régua para entender até onde esse tipo de narrativa poderia ir.
Até então, uma das minhas principais referências literárias do que se é extremo, é o livro Psicopata Americano, de Bret Easton Ellis. Agora, já com o meu livro finalizado, decidi ampliar essa comparação e descobrir o que encontraria nas páginas curtas e perturbadoras de Cayke.
RESENHA
Na empresa Martins Telles Equipadora trabalha Carlos, um homem de meia-idade que conquistou a simpatia de boa parte dos colegas — sobretudo de seus superiores e da diretoria. Eficiente, inteligente e aparentemente confiável, ele é visto como o funcionário exemplar: alguém acima de qualquer suspeita.
Mas, por trás dessa imagem impecável, Carlos esconde um segredo doentio. A distância entre o profissional admirado no escritório e a figura perturbadora que ele revela em particular é justamente o que sustenta a inquietação de Sedento por Sangue.
Como eu queria medir o grau de extremidade da obra, encontrei aqui algo que certamente não passa despercebido. Mas, para mim, o impacto vem menos da violência explícita e mais da repulsa e do desconforto provocados pelo comportamento de Carlos. O personagem é grotesco a ponto de causar ânsia só de acompanhar suas atitudes; quando seus crimes entram em cena, essa sensação se intensifica.
Carlos parece incapaz de conter seus impulsos, especialmente quando está perto de suas vítimas. Meticuloso e paciente, ele espera o momento que considera adequado para agir. Essa rotina criminosa começa a ser abalada quando Susy, sua nova colega de trabalho, desperta nele o desejo de torná-la sua próxima vítima.
Susy, porém, é inteligente e logo percebe que há algo errado com Carlos — ainda que descubra da pior maneira possível a dimensão de seus hábitos criminosos. A partir daí, a tensão se concentra no confronto entre os dois: será que Susy conseguirá escapar e enfrentá-lo, ou Carlos continuará vivendo sua rotina doentia sem ser impedido?
Com menos de quarenta páginas, Sedento por Sangue é uma leitura rápida, mas bastante desconfortável. É um livro de tiro curto, que pode ser lido no intervalo do almoço — embora, pensando bem, talvez seja melhor deixar a leitura para bem depois da refeição.
Em resumo: se você procura uma narrativa breve de horror extremo, marcada mais pela repulsa e pelo incômodo do que pela violência explícita, o livro de Victor Cayke pode chamar sua atenção. Só não espere terminar a leitura com o estômago tão tranquilo quanto começou.

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