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terça-feira, 20 de outubro de 2026

Psicopata Americano: o livro mais extremo que já li

 



Psicopata Americano: um dos livros mais extremos que já li

Esta é mais uma resenha de um livro que apareceu na minha vida sem que eu soubesse praticamente nada sobre ele — e esse é o caso de Psicopata Americano, de Bret Easton Ellis.


O livro chegou até mim há 28 anos. Ele veio do meu tio, que o havia emprestado de um amigo. Eu, praticamente, o usurpei — e hoje ele é meu, tamanho foi o impacto que a leitura causou em mim.


Sim, meus amigos: para mim, este é um dos livros mais pesados, fortes, cruéis e perturbadores que já li. E, antes que alguém diga: “Ah, eu já assisti ao filme com Christian Bale”, lançado em 2000, peço que não compare o filme ao livro como se fossem experiências equivalentes. A adaptação de Mary Harron é ok, mas não chega perto de reproduzir toda a violência e o horror descritos na obra. Perto do livro, o filme parece muito mais calmo suave,covarde quase uma sessão da tarde ...


Esqueçam o filme que  ao chega aos pés do livro

E aí, pronto para a resenha? Prometo que será sem spoilers importantes.


Quando li Psicopata Americano, fiquei chocado. Eu já estava acostumado a livros, séries e filmes de horror, mas Bret Easton Ellis parece romper vários limites do gênero. Há passagens tão perturbadoras que, enquanto lia, eu me pegava virando os olhos, respirando fundo e pensando: “Puta que pariu, ele fez isso mesmo?” — para, incrédulo, continuar a leitura.


A história acompanha Patrick Bateman, um jovem rico de Wall Street, obcecado por aparência, marcas, restaurantes da moda e pelo próprio status. Por trás da fachada impecável de executivo bem-sucedido, porém, existe alguém tomado por uma violência cada vez mais extrema. Sem revelar os acontecimentos, a trama acompanha a rotina de Bateman e a forma como sua vida aparentemente sofisticada vai se misturando a atos cada vez mais perturbadores.


O começo pode parecer arrastado. Ellis dedica bastante espaço à rotina do protagonista, às roupas, aos produtos, aos restaurantes e às conversas superficiais de seu círculo social. Mas esse ritmo não está ali por acaso: ele nos insere no universo de Bateman e mostra o vazio por trás daquela vida de luxo e aparências. Essas descrições cotidianas também criam um contraste desconcertante com os momentos de violência — quase como uma pausa antes de o livro voltar a nos deixar horrorizados.


A obra não é apenas uma sucessão de cenas violentas. A repetição, a obsessão por consumo e a superficialidade do mundo de Bateman ajudam a construir uma crítica sombria à cultura materialista e à desumanização. Ainda assim, é impossível ignorar o quanto algumas passagens são explícitas e difíceis de encarar. A violência do livro provocou controvérsia e discussões sobre até onde uma obra de ficção pode ir — e continua sendo um dos aspectos mais lembrados quando se fala no romance.


E há uma curiosidade que confirma uma percepção que tive: a cena com ratos de Terrifier 3 foi, de fato, inspirada em uma passagem do livro. Em entrevista ao Dexerto, o diretor Damien Leone contou que um amigo, fascinado por Psicopata Americano, leu o livro e lhe relatou alguns trechos. A passagem envolvendo ratos ficou gravada na memória de Leone e serviu de inspiração para a cena do filme. Portanto, nesse caso, não era apenas impressão minha: há uma declaração do próprio diretor sobre a referência. Segundo ele, a ideia veio do livro — embora a cena de Terrifier 3 seja pesada,o que acontece no livro Psicopata Americano....Meu Deus o que foi aquilo?!?

Psicopata Americano inspiração para Terrifier 3

Psicopata Americano é um livro que pode causar desconforto e não é uma leitura para todo mundo. Mas, para quem se interessa por horror extremo e por histórias que ultrapassam limites, é uma experiência difícil de esquecer.


A minha régua para o que é horror e violência extrema é este livro: Psicopata Americano.

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