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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Obsessão (Obsession) | Resenha Crítica — "Ele só queria que ela o amasse mais do que tudo no mundo. E conseguiu. Pior pra ele."

 



Título:Obsessão (original: Obsession)
Ano:2026
Direção e Roteiro:Curry Barker
Gênero:Terror Psicológico / Thriller / Horror
Duração:1h 49min
Produção:Blumhouse, Tea Shop Productions, Capstone Pictures



ELENCO
Michael Johnston como Bear Bailey
Inde Navarrette como Nikki
Cooper Tomlinson como Ian
Megan Lawless como Sarah
Andy Richter como Carter


PRÊMIOS E DESTAQUES 
O filme foi um dos grandes fenômenos do terror independente de 2026:
Prêmio do Público no Festival de Sitges (Espanha) — o mesmo festival onde Possessor brilhou
Estreou na Midnight Madness do Festival de Toronto (TIFF)
Sessões esgotadas no Fantastic Fest
93% de aprovação no Rotten Tomatoes (97% na fase de pré-lançamento)


ENREDO (Sem Spoilers)
Bear (Michael Johnston) é um funcionário tímido de uma loja de discos, romântico incurável que vive apaixonado pela melhor amiga e colega de trabalho, Nikki (Inde Navarrette). Incapaz de confessar seus sentimentos, ele acaba comprando, numa loja de antiguidades, um artefato mágico chamado One Wish Willow — um galho que supostamente realiza um único desejo para quem o quebrar.

Num impulso, Bear quebra o galho e pede aquilo que qualquer romântico desesperado pediria: "que Nikki me ame mais do que qualquer outra pessoa no mundo."

O desejo é atendido — e é aí que a pesadelo começa. Nikki passa a amar Bear de forma absoluta, sufocante e violenta. Ela mente para ele, o vigia enquanto dorme, tenta prendê-lo em casa e começa a caçar e matar qualquer pessoa que ameace se colocar entre ela e seu "amado". O que parecia um romance de conto de fadas se transforma num banho de sangue.

E o toque de gênio do filme? O artefato nunca foi amaldiçoado. Amaldiçoado era o desejo. Querer o amor de alguém à força, tirar a autonomia de uma pessoa até ela deixar de ser ela mesma — essa é a verdadeira maldição.

A PREMISSA É BOBA ?É,E É EXATAMENTE POR ISSO QUE FUNCIONA
Confesso: quando li a sinopse, achei a premissa real e genuinamente boba. Um garoto apaixonado que quebra um galhinho mágico para conquistar a crush? Isso tem tudo pra ser um desastre absoluto, um terrorzão descartável de domingo à tarde. Se não fosse o tino para o terror do diretor Curry Barker.

E é aqui que está a magia. Curry Barker pega essa premissa simples, quase infantil, e a transforma em um filmaço de terror. Ele prova que no cinema de gênero, o que importa não é a grandiosidade da ideia, mas sim a execução. Com um orçamento de apenas US$ 750 mil (inacreditavelmente baixo) e uma direção afiadíssima, Barker constrói uma tensão que cresce de forma quase sufocante — sem depender de jump scares baratos, usando luz, trilha sonora e o desconforto psicológico.

Ele entende que o terror mais eficaz não está no monstro, mas naquilo que nós, seres humanos, somos capazes de fazer uns com os outros.

INCEL-HORROR: o verdadeiro horror
Essa é a categoria que define Obsessão: um Incel-terror. O filme é uma crítica afiada, praticamente cirúrgica, ao homem que objetifica a mulher e faria de tudo para que ela fique, obedeça e o ame à força. Bear não é um rapaz apaixonado — é um sujeito que nunca aprendeu a aceitar um não. Ele não quer o amor de Nikki; ele quer a posse de Nikki.

Quando o desejo se realiza, não é Nikki quem se torna monstruosa — é o desejo de Bear que se materializa em sua forma mais pura e literal. O monstro nunca foi o brinquedo. Foi ele o tempo todo.

E o mais genial (e perturbador): o filme te faz torcer pelo "mocinho" errado por tempo suficiente para doer quando cai a ficha. Você acompanha a história pelo ponto de vista de Bear, simpatiza com ele no começo... e de repente percebe que está torcendo pelo vilão.

DESTAQUE Inde Navarrette
Obsessão é a consagração de Inde Navarrette. A atriz rouba completamente o filme.

Nikki pré-desejo e a "Nikki" pós-desejo são quase duas atrizes diferentes — com uma virada vocal e física tão completa que já está sendo comparada ao panteão das grandes vilãs do terror. Ela entrega uma performance crua, verdadeira e assustadoramente magnética. É aquele tipo de atuação que define uma geração no gênero.

CURIOSIDADES
Orçamento mínimo, bilheteria enorme: o filme custou entre US$ 750 mil e US$ 1 milhão e arrecadou cerca de US$ 14 milhões só no primeiro fim de semana nos EUA.
De R$ 4 mil (literalmente): antes de Obsessão, Curry Barker lançou no YouTube o found footage Milk & Serial (2024), feito por apenas US$ 800, que viralizou com mais de 1,6 milhão de views e abriu todas as portas de Hollywood para ele.
Final alterado por conselho do pai: o final original era um "Romeu e Julieta", com Nikki tirando a própria vida após a morte de Bear. Barker filmou essa versão, mas mudou de ideia após o próprio pai e pessoas próximas apontarem que era muito mais perturbador deixá-la viva para enfrentar as consequências.
Curry Barker tem 26 anos e já é considerado o novo nome do terror em Hollywood, com a Blumhouse e a Focus Features disputando seus projetos.
Furo de roteiro assumido: o próprio diretor admitiu que existe um "furo de roteiro" real no filme sobre a lógica do mundo onde os desejos acontecem — e brincou: "Se existe um mundo onde as pessoas fazem desejos, então dragões deveriam existir."
Michael Johnston é abertamente gay e se tornou o rosto mais reconhecível do filme, concedendo dezenas de entrevistas sobre representatividade LGBTQ+ no gênero terror.

NOTA 9 / 10
Obsessão é a prova definitiva de que premissa simples não é sinônimo de filme simples. Curry Barker parte de uma ideia que poderia facilmente render um desastre genérico e transforma tudo em um filmaço de terror, com uma crítica social afiadíssima sobre objetificação, posse e a cultura incel.

O filme funciona em várias camadas: é um terror psicológico tenso, é um slasher sangrento, é uma comédia negra delirante e é um retrato devastador do homem que encara a mulher como propriedade. E as consequências são trágicas — literalmente até os últimos segundos do filme, deixando Nikki gritando em meio à devastação que ela nunca escolheu.

A performance de Inde Navarrette é um fenômeno à parte, e a direção de Barker mostra uma maturidade impressionante para um cineasta de 26 anos com orçamento de US$ 750 mil.

Se perco meio ponto? Talvez por um ou outro deslize de roteiro (o próprio diretor admite o furo!) e por momentos em que o tom oscila um pouco demais entre o absurdo e o aterrorizante. Mas, sinceramente, são detalhes que passam quase despercebidos diante de um filme tão coeso, original e inquietante.



⚠️ AVISO DE SPOILERZÃO ⚠️ 

Inde Navarrette nas mãos de um incel




 ⚠️ AVISO DE SPOILERZÃO ⚠️ 
A partir daqui terá UM SPOILERZÃO!

 Se você ainda não assistiu a esta obra e não quer estragar a experiência, PARE AGORA!

 Role para baixo apenas se estiver preparado(a) ou se já viu o filme/série.

Quem quiser voltar depois de assistir, é só lembrar deste ponto!

Você foi avisado(a)! Continue por sua conta e risco... 

 

Depois que seu desejo foge completamente do controle e causa várias mortes, Bear percebe que a única forma de quebrar a maldição do One Wish Willow é morrendo. Ele resolve tirar a própria vida e toma uma overdose de comprimidos.

Só que ele não cuspiu os comprimidos — e, enquanto agoniza, a Nikki ainda "possuída" usa outra One Wish Willow e faz um desejo: que Bear a ame com a mesma intensidade que ela o ama. O feitiço faz com que ele desista de tentar se salvar. Os dois se abraçam e se beijam — mas Bear acaba morrendo engasgado pela overdose.

A morte de Bear quebra a maldição. Nesse momento, a verdadeira Nikki finalmente recupera o controle do próprio corpo e percebe o horror de tudo o que aconteceu: os amigos estão mortos, Bear está morto, e ela foi forçada a cometer atos terríveis enquanto estava sob o efeito do desejo.

O filme termina com Nikki em estado de choque, gritando e encarando a devastação ao seu redor — punida por um crime que ela jamais escolheu cometer, vítima do desejo egoísta de um homem que não soube aceitar um não.

O final alternativo descartado: Curry Barker chegou a filmar um final no estilo "Romeu e Julieta", onde Nikki também tiraria a própria vida após a morte de Bear. Mas, ao assistir à atuação de Inde Navarrette e ouvir a opinião de seu pai, ele concluiu que deixá-la viva para enfrentar as consequências era muito mais perturbador. Acertou em cheio — é um dos finais mais indigestos do terror moderno.


E ai, ja assistiu OBSESSÃO?O que achou? Comente aqui para dialogarmos sobre









Possessor: Controlador de Mentes (Possessor) | Resenha Crítica — "Eu no teu corpo e você no meu corpo e tudo certo, ou será que não?"

 



Título: Possessor (br: Possessor: Controlador de Mentes)
Ano :2020
Direção e Roteiro:Brandon Cronenberg
Gênero: Ficção Científica / Terror Psicológico / Thriller
Duração:1h 43min
Estreia: Festival de Sundance — 25 de janeiro de 2020

ELENCO
Andrea Riseborough como Tasya Vos
Christopher Abbott como Colin Tate
Rossif Sutherland como Girder
Tuppence Middleton como Reeta
Sean Bean como John Parse
Jennifer Jason Leigh como Dra. Melis


PRÊMIOS E INDICAÇÕES
O filme levou o prêmio de Melhor Filme e Melhor Direção no prestigiado Festival de Sitges (Espanha), um dos maiores festivais de cinema fantástico da Europa. Também recebeu indicações ao Canadian Screen Awards nas categorias de Melhor Direção e Melhor Design de Maquiagem.

ENREDO (Sem Spoilers)
Tasya Vos é uma assassina corporativa de elite que utiliza uma tecnologia de implante cerebral para assumir o controle dos corpos de outras pessoas e executar seus alvos. O processo é simples, porém brutal: um eletrodo é inserido no crânio do hospedeiro, e a consciência de Tasya é transferida para a mente da vítima, que passa a agir sob seu comando total — incluindo o de cometer suicídio ao final de cada missão.

O problema começa quando Tasya, já abalada por sintomas neurológicos e uma crescente dissociação de sua própria identidade, aceita um novo trabalho e assume o corpo de Colin Tate. Só que Colin não é um hospedeiro qualquer — sua mente é forte o suficiente para resistir, e uma luta psicológica devastadora se instala: quem está realmente no controle?

O filme é uma reflexão perturbadora sobre identidade, livre-arbítrio e a fragilidade da consciência humana.

CURIOSIDADES
Zero CGI: De acordo com o cinefotógrafo Karim Hussain, nenhum efeito gerado por computador foi utilizado. Todos os efeitos visuais foram práticos e feitos em câmera, incluindo levitação acústica (objetos flutuando usando ondas sonoras) e uma ilusão óptica que faz a água parecer congelar ao sincronizar o obturador da câmera com um subwoofer.
23 versões do roteiro: Brandon Cronenberg começou a escrever o roteiro em 2011 e fez cerca de 23 reescritas ao longo dos anos.
Conexão com David Cronenberg: Jennifer Jason Leigh, que interpreta a Dra. Melis, já havia trabalhado com o pai de Brandon no clássico eXistenZ (1999).
Segundo longa-metragem de Brandon Cronenberg, após Antiviral (2012).
Orçamento modesto: O filme foi produzido com apenas US$ 2,5 milhões.

VIOLÊNCIA GRÁFICA
Um ponto que precisa ser destacado: Possessor não alivia para o espectador. A violência física é crua, visceral e filmada sem pudor algum. As cenas de assassinato são desconfortáveis de tão realistas, e o filme faz questão de não desviar o olhar nos momentos mais brutais. Se você é sensível a gore e violência explícita, esse filme vai te testar.

DESTAQUE: Christopher Abbott
Christopher Abbott entrega uma das melhores performances de sua carreira como Colin Tate. O ator consegue transmitir a dualidade de um homem que luta para manter o controle do próprio corpo e da própria mente com uma intensidade assombrosa. A forma como ele transita entre vulnerabilidade e fúria contida é simplesmente magnética.

NOTA: 8,5 / 10
Possessor é um filme que te agarra, te desconforta e te faz pensar. A direção de Brandon Cronenberg é segura, a atmosfera é sufocante no melhor sentido, e as atuações são de altíssimo nível.

Mas por que não uma nota mais alta? O problema está nos 10 minutos finais — mais especificamente, nos últimos 40 a 60 segundos do filme. O desfecho é chocante, sim, e tem impacto. Porém, o final é aberto de um jeito que não funciona. É aquela sensação de que faltou alguma coisa, de que o roteiro poderia ter fechado com mais precisão e intenção.

Mesmo assim, a experiência como um todo é tão intensa e original que o filme merece demais a nota.




⚠️ AVISO DE SPOILERZÃO ⚠️ 


Christopher Abbott Put...da vida


A partir daqui terá UM SPOILERZÃO!

Se você ainda não assistiu a esta obra e não quer estragar a experiência, PARE AGORA  E VOLTE APENAS DEPOIS DE ASSISTIR .

Role para baixo apenas se estiver preparado(a) ou se já viu o filme/série.
Quem quiser voltar depois de assistir, é só lembrar deste ponto!
Você foi avisado(a)! Continue por sua conta e risco... 


A Seção SPOILERZÃO — Possessor
O final explicado 

No clímax, a batalha mental entre Tasya e Colin chega a um ponto insustentável. Colin luta ferozmente contra o controle de Tasya, e o filme brinca com a ambiguidade de quem está no comando. Ao final, Tasya consegue concluir a missão — mata o alvo — mas o processo a deixa destroçada.

Nos momentos finais, Tasya retorna ao seu corpo e se esforça para retomar sua vida "normal" ao lado do marido e do filho mas ao chegar em casa Colin toma o controle do corpo de Tasya e por vingança ou desequilíbrio ela mata violentamente seu marido e seu filho pequeno em cenas chocantes difíceis de esquecer

Mas a sequência final sugere que algo dentro dela se perdeu para sempre — ou pior, que o preço de suas missões foi o completo desaparecimento de sua própria identidade. O filme termina de forma ambígua, deixando ao espectador a dúvida: será que Tasya ainda é Tasya — ou apenas mais um hospedeiro habitado por outra consciência?

E é exatamente esse final aberto, sem fechamento claro, que incomoda nos últimos 40-60 segundos: a sensação de que faltou um último golpe de fechamento para a história.




segunda-feira, 20 de abril de 2026

Gente Pobre - autor Fiodor Dostoiévski - Editora -Editora Principais - 162 páginas

 “O homem pobre também tem amor-próprio.”— Gente Pobre, de Dostoiévski



Confesso que cometi um “pecado” literário ao comprar este livro.

Adquiri Gente Pobre simplesmente pelo título — algo que raramente faço. Normalmente, pesquiso antes: leio sinopses, opiniões, procuro entender minimamente a proposta da obra. Desta vez, não.

O único conhecimento que eu tinha era sobre o autor, Fiódor Dostoiévski. Mas, curiosamente, nada sabia sobre a história em si. Foi o título que me fisgou. Gente Pobre. Simples, direto… e estranhamente familiar.

Talvez tenha sido identificação imediata — afinal, também me considero um “pobretao”. Claro, não nos moldes extremos vividos pelos protagonistas deste livro… mas ainda assim, o suficiente para despertar curiosidade.

E assim, sem saber exatamente no que estava me metendo, levei o livro para casa.

Agora, te convido a fazer o mesmo: embarcar comigo por alguns instantes na pobreza alheia — porque a nossa… bem, essa já basta.


Resumo de Gente Pobre (sem spoilers)

A história de Gente Pobre é contada por meio de cartas trocadas entre Makar Diévuchkin, um funcionário público de baixa renda, e Varvara Dobrossiélova, uma jovem órfã que luta para sobreviver.

Mas não se engane pela simplicidade da proposta: por trás dessas cartas existe um retrato brutal da vida na São Petersburgo — uma cidade fria, cinzenta e indiferente, onde pessoas como Makar e Varvara parecem não existir aos olhos do mundo.

Eles vivem em quartos apertados, cercados por dificuldades constantes, contando moedas e medindo cada pequena decisão do dia a dia. Ainda assim, é justamente nesse cenário sufocante que nasce algo inesperado: uma relação profundamente humana, feita de cuidado, afeto e uma necessidade quase desesperada de não se sentirem sozinhos.

O que torna a obra de Fiódor Dostoiévski tão marcante não é apenas a pobreza material — é a forma como ela invade a mente, corrói a autoestima e testa, a todo momento, a dignidade dos personagens. Aqui, cada gesto simples carrega peso, cada palavra importa, e cada pequena esperança parece lutar contra um mundo inteiro que insiste em esmagá-los.

Não há grandes reviravoltas, nem acontecimentos espetaculares. E talvez seja exatamente isso que torna tudo tão desconfortável: a dor apresentada é silenciosa, cotidiana e real demais. Gente Pobre não grita — ele sussurra… e esse sussurro é o que mais incomoda.


A gente termina Gente Pobre achando que leu sobre outras pessoas…até perceber que, em algum nível, a história também é sobre a gente.


Fiódor Dostoiévski não escreveu apenas sobre pobreza — escreveu sobre invisibilidade.E o mais desconfortável é perceber que o mundo mudou muito…mas continua fingindo que não vê as mesmas pessoas.


A leitura me deixou com a sensação de que ser pobre não é o que mais dói — o que dói é quando o mundo faz você acreditar que, por isso, você vale menos.


Sobre o autor

Fiódor Dostoiévski nasceu em 1821, na Moscou, e é considerado um dos maiores nomes da literatura mundial. Antes de se dedicar totalmente à escrita, estudou engenharia militar, mas sua verdadeira vocação sempre foi a literatura.

Gente Pobre, publicado em 1846, foi seu primeiro romance — e já chamou atenção por sua sensibilidade social e psicológica. A obra dialoga com tradições literárias russas da época, especialmente influências de Nikolai Gogol, abordando a vida dos mais humildes com uma profundidade incomum.


Se Gente Pobre foi só o começo, Dostoiévski ainda tem muito mais a oferecer — e, aviso logo: não são leituras leves, mas dificilmente passam despercebidas.


Outras obras de Dostoiévski

  • Crime e Castigo
  • Os Irmãos Karamázov
  • O Idiota
  • Memórias do Subsolo
  • Os Demônios (também publicado como Os Possessos)
  • O Jogador
  • Noites Brancas
  • Humilhados e Ofendidos




terça-feira, 26 de agosto de 2025

A Casa dos Pesadelos - Autor Marcos Debrito - Editora Faro Editorial- 144 páginas


Caso queiram pular essa pequena introdução pulem até RESENHA "A CASA DOS PESADELOS".

Esse ano de 2025, estou um pouco na fase dos livros nacionais de horror/suspense, entre os ja postados aqui no blog como "Jantar Secreto" e "Vilarejo" do badalado  Raphael Montes , Numezu de Jorge Alexandre Moreira Moreira,"Até os Demonios podem Chorar" de Evandro Augusto Silva,"O Encanto dos Lobisomens"   e outros que ainda serao postados em breve e assim continuarei nesse ano de 2025 inteiro.

 O motivo? São vários.


Numezu 
Jantar Secreto


O Vilarejo



Até os Demônios podem Chorar


O Encanto dos Lobisomens


1°motivo: incentivar a leitores a comprarem mais livros de horror/suspense nacionais brazucas.

2° Conhecer e divulgar autores que eu não conheço/conhecia.

3°Vou lançar alguns livros de horror até 2026,com três em fase finalização, então quero conhecer o que tem de horror nacional por ai para tentar melhorar alguns pontos antes do envio para as plataformas.

Em pesquisas recentes de livros de horror/suspense nacionais me deparei com esse livro de 2018 "A Casa dos Pesadelos" do autor Marcos DeBrito, e em uma viagem para João Pessoa na Paraiba me deparei com o maior sebo de livros que eu ja vi na vida com mais 400.000 exemplares físicos no local e claro que nao resisti,de tantos livros que eu queria comprar que anotei e acabei deixando em casa ,e o unico que lembrei na hora da correria foi esse "A Casa dos Pesadelos" e foi nesse sebo,o maior que vi, que adquiri esse livro.



RESENHA: A Casa dos Pesadelos – Terror psicológico ou só um pesadelo mesmo?

Vi por aí, em outros blogs e resenhas, que A Casa dos Pesadelos tem sido apontado como um bom exemplar de terror psicológico, com escrita fluida e aquele famoso plot twist no final que todo mundo adora comentar sem contar. Confesso que esses elogios me chamaram atenção. Soma isso ao fato de ser um livro curto, com apenas 144 páginas — ou seja, perfeito para devorar em um único dia — e pronto: mergulhei na leitura com expectativas.


A trama é simples, direta: Laura decide visitar a casa da mãe, Célia, após dez anos afastada. Vai acompanhada dos dois filhos — o caçula Bruno, de seis anos, e Tiago, o mais velho, de 16 — justamente o filho que tem motivos de sobra para não querer pisar lá de novo. Algo muito traumático aconteceu com Tiago naquela casa, quando ele era criança, e isso o marcou profundamente.


E é aí que começa o problema... não da história em si, mas da minha relação com o personagem.


Logo nas primeiras páginas, percebi que, em vez de empatia pelo adolescente traumatizado, o que eu sentia era raiva. Sério. Algo do tipo: “Putz, que moleque chato da porr@!” — e olha que eu até tentei compreender. Mas o autor não ajuda. Em vez de desenvolver o drama de Tiago com nuances e evolução, ele insiste em esfregar o trauma do personagem a cada página, como se o leitor fosse esquecer. A gente entendeu, amigo, na primeira vez.


Essa repetição não gera mais compaixão — só cansaço.


Os personagens, de forma geral, não são muito profundos. Talvez o autor tenha tentado investir nesse lado com Tiago, mas ficou na tentativa. E tudo bem, em histórias de terror a gente nem sempre exige protagonistas com camadas shakesperianas. Se o livro nos entrega sangue, tensão, atmosfera, mortes bizarras e descrições que grudam na pele — já vale. O problema é que A Casa dos Pesadelos também falha um pouco nesse quesito.


A ambientação até começa interessante. Quando a família chega à casa da avó — hoje viúva — o clima de desconforto já se instala. A tal casa é palco do suposto assédio sobrenatural que Tiago teria sofrido anos antes. Só que ninguém, nem a mãe nem a avó, acreditou nele. Resultado: anos de terapia e um rancor que parece ter fermentado dentro do garoto.


A avó, Célia, tenta de tudo para se reaproximar do neto, que antes era grudado nela. Mas Tiago permanece frio, fechado, com o ranço no modo hard. E aí vem a virada: depois da primeira noite na casa, o irmãozinho Bruno relata que viu “um monstro” em seu quarto. Mesma coisa que Tiago dizia ter visto quando criança.


Então... Tiago estava certo o tempo todo? Bruno também está sendo assombrado? Ou será que a família inteira vai entrar num surto coletivo de férias?


O livro começa a caminhar por aí. Tiago, entre irritações e rompantes, tenta proteger o irmão e provar que nunca mentiu. Mas será que ele está mesmo em condições de ser o herói da história?


Vale a pena?

Se você curte histórias com um pé no drama familiar e outro no suspense psicológico, talvez A Casa dos Pesadelos te agrade. O livro tem potencial, sim — e um final que tenta surpreender — mas peca na repetição, nos personagens pouco trabalhados e na falta de um verdadeiro clima de terror.


Faltou sangue? Faltou medo? Faltou um pouco de tudo, pra ser honesto.


Mas é uma leitura rápida, e se você não for tão implicante com o Tiago quanto eu fui, pode até curtir. Só não diga que eu não avisei.


domingo, 30 de março de 2025

Devoradores de Mortos- autor Michael Crichton - Editora Brochuras 197 páginas


Apoiadores do golpismo e do miliciano que acreditam ainda hoje que a ditadura Militar foi algo bom, vocês são  contra a cultura e educação .então,vocês não sao bem vindos aqui. 

SUMAM!

Caso queira pular a pequena introdução, role para baixo até RESENHA. 

 Quando assisti no cinema o primeiro Jurassic Park em 1992 de Steven Spielberg, fiquei impressionado com o filme e história e fui pesquisar que o filme foi inspirado no livro Jurassic Park de Michael Crichton e dois anos depois em 1994 fui atrás de alguns livros do autor e o primeiro livro que comprei de Michael Crichton foi o interessante terror histórico Devoradores de Mortos.


Livro Jurassic Park de Michel Michael Crichton 
 
RESENHA
Devoradores de Mortos – Michael Crichton

Imagine uma história que mistura fatos históricos do século X com uma narrativa tão envolvente que parece saltar das páginas direto para sua imaginação. Foi exatamente essa a sensação que tive ao ler Devoradores de Mortos — uma mistura de angústia, curiosidade e aquela vontade de não largar o livro até descobrir o que estava prestes a acontecer com os personagens.

Michael Crichton, o mesmo gênio por trás de Jurassic Park, mostra aqui mais uma vez por que pode ser considerado um mestre da ficção, do suspense e da aventura.

O que mais me chamou atenção nesse livro foi a proposta ousada: Crichton se baseia em supostos manuscritos reais do ano 922 d.C., escritos pelo árabe Ahmad ibn Fadlan, que teria vivido entre os vikings durante uma missão diplomática. A partir desses relatos, o autor reconstrói — com uma pegada ficcional envolvente — a jornada desse estrangeiro em um mundo brutal, desconhecido e cheio de perigos.

O protagonista, Ibn Fadlan, é um homem culto, racional, observador, e acaba sendo arrastado para uma missão mortal ao lado de um grupo de guerreiros vikings. O objetivo: enfrentar uma ameaça misteriosa e assustadora que desce das montanhas à noite para matar e arrastar corpos... os chamados “devoradores de mortos”.

A forma como os vikings são retratados é um espetáculo à parte. Crichton (ou melhor, Ibn Fadlan) descreve com riqueza de detalhes seus costumes, vestimentas, armas, rituais, treinamentos e a coragem quase suicida desses guerreiros. O destaque vai para Buliwyf, o líder viking — uma figura imponente, que parece saído diretamente de uma lenda. A dinâmica entre os personagens é carregada de tensão, respeito e choque cultural, o que só aumenta a imersão.

Mesmo relutante, Ibn Fadlan acaba participando das batalhas — e é justamente por seus olhos que vemos o medo surgir entre os vikings quando os tais devoradores de mortos começam a atacar. Criaturas misteriosas, que surgem do alto das montanhas apenas para matar e desaparecer com os corpos dos caídos... Quem (ou o que) seriam esses seres que até os mais corajosos temem?

Crichton brinca com a linha tênue entre realidade e mito. Estariam eles enfrentando bestas lendárias? Humanos primitivos? Fantasmas? Ou algo ainda mais sinistro?

Com apenas 197 páginas, Devoradores de Mortos é um livro de tiro curto, mas que entrega uma carga intensa de aventura, sangue, tensão e mistério. É o tipo de leitura que você começa e só para quando termina — no meu caso, em uma única tarde.

Se você gosta de tramas históricas com uma pitada de terror e um ritmo alucinante, essa leitura é mais do que recomendada.

Leitura obrigatória para quem tem estômago forte, imaginação afiada e sede por histórias sombrias.

 

CURIOSIDADES. 

Devoradores de Mortos ja foi adptado para o cinema,e o ator principal que fez o personagem do árabe Ibn Fadl foi Antônio Banderas.


Antonio Banderas como Ibn Fadl




A adaptação para a telona veio com o nome de O 13° Guerreiro, uma alusão a escolha do árabe Ibn Fadl no qual é o ultimo dos 13 guerreiros escolhidos para subirem as montanhas e tentarem  drscobrir quem realmente sao os Devoradores de Mortos. 

Adaptação do livro: leia apenas depois por curiosidade 


Fui com muita expectativa para assistir ao filme e foi uma baita decepção e nao conseguiram transportar nem 10 % do livro e emoção  e tensao entao passou longe.


Querem conhecer essa história, passe longe do filme e leia o livro , depois quem sabe, apenas por curiosidade assista o filme. 

Sobre o Autor.

Michael Crichton (1942-2008) foi um escritor, roteirista, diretor de cinema, produtor e médico americano. Ele é conhecido por seus trabalhos nos gêneros ficção científica, ficção médica e thriller. 

Os livros de Crichton foram traduzidos para 38 idiomas e venderam mais de 200 milhões de exemplares no mundo todo. 


Algumas de suas obras lançadas no Brasil:


O Mundo Perdido

Jurassic Park





Enigma 


Sol Nascente

Congo


Estado de Medo



terça-feira, 4 de março de 2025

Jantar Secreto - Autor Raphael Montes- Editora Companhia das Letras - 360 páginas

Apoiadores do golpismo e do miliciano que acreditam ainda hoje que a ditadura Militar foi algo bom, vocês são  contra a cultura e educação ,então,vocês não são bem vindos aqui. 

SUMAM!



Raphael Montes é superestimado?Esse autor me deixava na dúvida sobre,  até agora...


Livro Jantar Secreto


Raphael Montes...."Pare de me criticar ""


Querem pular a introdução ou talvez não  tenham "saco"   para tal , desçam até o título RESENHA :JANTAR SECRETO -RAPHAEL MONTES 


 Confesso que possuo um certo receio com "coisas" da modinha,do momento,hippado e por isso nao costumo consumi-los quando estão hippados ( acho essa palavra uma merd@ hippada tambem) entao invariavelmente  aguardo a poeira abaixar para poder consumir ou nem consumo.

Talvez por isso, posso estar perdendo grandes obras literárias, grandes filmes,grandes séries e grandes etc,ou não. 

E as obras de Raphael Montes entraram nesse balaio literário hippado no qual,ainda,torço o meu nose,ainda mais que Raphael Montes ,juntamente com Illana Casoy ,sao os roteiristas da série "Bom Dia Veronica".


Raphael Montes e Ilana Casoy "Pare de reclamar de nós "

 "Bom dia Veronica",confesso, a primeira temporada é ótima,a segunda regular  e estava quase adquirindo algumas obras literárias do Raphael, eu disse quase,até que...

Quando a terceira temporada de "Bom Dia Veronica" estreiou e eu assisti .Olha, essa terceira temporada foi uma DECEPÇÃO ....bem grande,ruim de doer minha hérnia, com um último capítulo vergonhoso, eu e minha esposa demos risadas de vergonha tamanho patético foi essa temporada....e foi ai que , o hippado Raphael Montes perdeu credibilidade( A Illana Casoy também) pelo menos para mim(o que para eles  nao é grande coisa)por terem permitido soltar o pino da granada de merd@ que explodiu  na minha tv.Claro ,por esse motivo pensei "nao irei dar crédito para quem teve a audácia de roterizar e aprovar "Bom dia Veronica " terceira temporada. 


Bomba 


E desde feveiro de 2024 quando assisti "Bom dia Veronica  A caçada Final"(olha esse título de filme ruim dos anos 80) ate agora que escrevo em  março  de 2025 ,  e a poeira do nome Raphel Montes se assentado  um pouquinho, decidi comprar uma obra sua,segundo dizem é o melhor romance seu, denominado "Jantar Secreto " .Em grupos de leituras que participo muito elogios e menções como "Tem que ter estômago para ler esse" ou "O melhor livro dele " ou então "Nojento" ,resolvi começar por esse "Jantar Secreto ".


RESENHA :JANTAR SECRETO -RAPHAEL MONTES 


A trama contada por Dante" um dos ou o  protagonista principal, se inicia com ele já explicando que ocorreu uma tragédia no qual era um dos responsáveis pelos desfecho trágico no qual ele irá contar com detalhes sem esconder nenhum segredo e Dante inicia sua história...

Os quatro amigos estudantes universitários oriundos de uma pequena cidadezinha do interior do Paraná  Miguel(estudante de medicina) Hugo(chef de cozinha frustrado)Dante empregado frustrado de uma biblioteca e estudante de administração e Leitao, o nerd da informática e estudante de ciências da computação  decidem se mudar para a cidade do Rio de Janeiro alugar um local para dividir as despesas e tentarem prosperarem na cidade maravilhosa.


Os quatro vivem na corda bamba devido a responsabilidade das despesas e a pressão de se darem "bem na vida" assim como milhões de brasileiros ,porém tudo acaba piorando quando descobrem que o aluguel não está sendo pago a muitos  meses e os quatro frustrados entram em no modo desespero para tentar ganhar dinheiro rápido  antes que sejam despejados e que o sonho de prosperarem na cidade grande não  acabe em ruinas.

Os amigos ,então iniciam as discussões de quais seriam as possíveis formas de saírem dessa situação, cada personagem com suas próprias características físicas e linhas de pensamentos distintos ,Dante o gay gente boa criativo magro e de estatura baixa acorda toda as manhãs com a sensação que precisa mudar de vida, Miguel o amigo mais próximo de Dante talvez seja dos quatro o mais encaminhado na vida, residente de Medicina o futuro promissor de Miguel estava quase batendo a sua porta,Hugo o chef de cozinha que não para em serviço nenhum pois se achava melhor do que qualquer outro chef de cozinha ,atlético  loiro cabeludo e barbudo estilo vinking é egocêntrico e narcisista e por último Leitão o amigo nerd de obesidade quase mórbida que não liga para quase nada e vive trancado no quarto a base fast food e games.

Dante, o gay criativo,decide explanar uma de suas ideias que seriam os chamados "jantares secretos" que funcionam quando os donos da casa realizam jantares para poucas pessoas dentro de suas proprias residencias ,proporcionando momentos gastronômicos mais intimistas proporcionando uma sensação de exclusidade aos convidados e Dante consegue convencer os seus amigos a abrirem o seu apartamento para estranhos jantarem,o ponto crucial para aceitação do plano foi Hugo o chef narcisista ter aceitado o desafio sem as amarras de outros cozinheiros  menus de restaurantes no qual trabalhou.

Ideia aprovada cada qual amigo com sua função, Leitão o nerd da tecnologia que ficou com a parte da divulgação decide realizar uma pequena brincadeira de mau gosto na divulgação  postado Internet e aí a partir desse momento irresponsável de Leitão que se iniciará o calvário e caos violento sem limites para os quatro amigos. 


Apesar de  certas facilidafes do roteiro para que a trama chegasse onde chegou e também ninguém questionar certas(os) personagens  suspeito(as) e na metade do livro se prestarem um pouco de atenção ja da para "matar" quem é o vilão o mor da trama violenta no qual foram sugados,mas como disse "as facilidades do roteiro " foram necessárias, pelo menos na mente do autor  para que os leitores pudessem vivenciar toda a violência e a sanguinolencia do último ato do livro.

E ai, na violência e horror que esse livro me segurou até o final e não me arrependi.

Eu como consumidor de filmes,séries e livros  de terror/horror , foi nitidio como peguei as inspirações   em certas partes da trama do livro de Raphael ,notei referências fortes como os livros de Thomas Harris com seu Hannibal Lecter assim como a série Hannibal com Mikes Mikkensen,leves referências com os filmes Massacre da Serra Elétrica  e surpreendentemente e principalmente no sanguinolento e nojento final do livro recordou um pouco ou muito, o filme Fome Animal de Peter Jackon e para quem assistiu sabe o banho de sangue que Peter Jackson apresentou em Fome Animal. 


Enfim ,gostei bastante desse livro Jantar Secreto e recomendo mesmo para pessoas que nao ligam para  histórias com altas doses de violencia explícita .


Raphael Montes é superestimado? Vou ler mais um obra dele para poder bater o martelo.


Até a próxima e bom apetite. 

 

CURIOSIDADES. 

Algumas claras referências que eu notei no livro Jantar Secreto de Raphael Montes:


Seria Hannibal 

Livros de Thomas Harris

O Massacre da Serra Elétrica 

Fome Animal 

Fome Animal....Dante é você? 


Raphael Montes também ja foi roteirista/colaborador de séries e filmes como::


Tá Tudo Certo

Beleza Fatal

SuperMax

Romance Policial Spinosa

A Regra do Jogo







Raphael Montes também escreveu outros livros como:


Suicidas

O Vilarejo

A Mágica Mortal

Uma Mulher no Escuro 

Dias Perfeitos 

Uma Família  Feliz